Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013

Nos confins desse Brasil há este tipo de homem: “Pés enterrados na areia do fundo do ribeirão, calção de riscado arregaçado até as virilhas, o sol malhando nas costas nuas, o garimpeiro peneira o cascalho, paciencioso e organizado. Ao lado, o barranco firme onde se amontoa o cascalho. Na peneira a areia e a água se movimentam em galeios rápidos para frente e para trás, ajuntam-se as pedras levem em cima. Numa virada certeira o garimpeiro emborca o cascalho peneirado e as pedras mais pesadas, o metal, torna-se a coroa do piquete. Lá fica ele o maluco cozinhando o couro ao sol, peneirando e peneirando. Vício louco” – Vila dos Confins, p. 114.

Os dias passam, a natureza transforma o mundo em que se vive, mas o homem apegado ao seu trabalho, fazendo aquilo que gosta, não vê nada disso.

“E o garimpeiro vai mudando de ponto. Atrás dele ficam os morrotes redondos de cascalho. Ele não olha para trás, não sente saudades, não deixa nem carrega consigo amor nenhum”. Será que não tem jeito de fugir duma lida assim?

Esta poesia do árabe Tamim al-Barghouti não fala só de Jerusalém:

“Você pensou mesmo que seus olhos veriam somente os outros?

A metralhadora no ombro do soldado adolescente,

As cercas de manjericão e as barricadas de cimento?

Pensou que eles diante de você, são o texto principal

Do qual és apenas uma nota marginal?

Em Jerusalém soldados marcham enquanto rezamos no asfalto.

Pensou, meu filho, que numa visita só afastarias

Da face da cidade o denso lenço da realidade,

Apenas para você ver o que bem desejar?

Em Jerusalém, qualquer um está ali, exceto você”.

É assim que a gente olha, vendo só os outros e como se nem estivéssemos ali?



publicado por joseadal às 12:33
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