Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013

Há exatamente cem anos, como era a cabeça das pessoas? Sim, porque vamos entrar em 2014 com tantas expectativas boas, mas e nossos avós, qual eram suas perspectivas? Por isso é bom ler um livro da época. É como usufruir da mesma alegria do arqueólogo que encontra enterrada uma peça que revela como viviam as pessoas daquele lugar há muito tempo.

Em Arte e Política, o pensador Walter Benjamin diz sobre aquele tempo: “Na cabeça dos homens, o ‘destino’ e o ‘heroísmo’ se relacionam a Gog e Magog, e suas vítimas não são só os’ filhos dos homens’, mas o ‘filhos das ideias’. Tudo o que foi pensado de sóbrio e ingênuo sobre o melhoramento da convivência humana entrou nas goelas desses canibais, que reagem a esse festim com os arrotos dos seus morteiros de 42 cm”.

Naquele promissor século XX ainda pairavam no ar pensamentos pacíficos, ideias conciliadoras de alguns filósofos e líderes religiosos. Mas começou a crescer uma onda de pensamentos que privilegiava a morte. “Precisamos dizê-lo com toda a amargura: com a mobilização total a paisagem, o sentimento alemão pela natureza, experimenta uma transformação inesperada. Os gênios da paz, que habitavam tão sensorialmente ali, foram evacuados para longe, até onde nosso olhar pode ir, para os cemitérios que se tornaram terreno fértil para o idealismo. Cada rolo de arame farpado que é emaranhado para conter o avanço do inimigo converte-se numa antinomia (consegue reunir duas proposições contraditórias), cada trincheira aberta torna-se uma declaração de ódio, e cada capacete realça os traços heroicos no rosto do soldado. É um equívoco, porque o que as pessoas julgam ser heroísmo são na verdade traços da morte”.

As mentes podem ser convencidas, a mídia e sua propaganda pode mudar sentimentos bons em ódios incontrolados.

“Uma propaganda eivada de interesses espúrios e impregnada de perversidade reduziu a técnica armamentista a um rosto apocalíptico, e a natureza contemplativa reduziu-se ao silêncio, embora  pudesse ter sido a força capaz de dar a voz conclamadora da guerra uma abstração metafísica. O novo nacionalismo é unicamente uma tentativa de dissolver na técnica, de modo místico e imediatista, o segredo da natureza e construir a guerra mundial”.

Parece-nos que o futuro próximo será pacífico, mas tem uma mancha que tende a se espalhar: essa desenfreada busca da felicidade – de novo aqui uma antinomia, pois a palavra ganhou o significado de viver sem esforço, só cercado de coisas prazerosas e nenhuma dificuldade. Parece que aí é que mora o perigo.       



publicado por joseadal às 12:56
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