Sábado, 04 de Janeiro de 2014

“O decisivo na fotografia continua sendo a relação entre o fotógrafo e seu instinto. Camille Recht usa uma bela imagem: ‘O violinista precisa para produzir um som, procura-lo e acha-lo com a rapidez do relâmpago então o som ressoa. Um bom instrumento é importante para um belo resultado, mas é o músico, tanto quanto o fotógrafo, que cria o belo’. É o caso de Eugene Atget (1857-1927). Foi o primeiro a arejar a atmosfera sufocante das fotografias.

Ele buscava os detalhes perdidos ou escondidos e, por isso, suas imagens têm uma ressonância exótica, majestosa e romântica.

Os lugares que fotografou não são solitários, mas Atget conseguia esvaziar a cidade, privá-la de sua atmosfera agitada” - Walter Benjamin, em Magia e Arte(p.105).

O bom fotógrafo é o que se dá conta da cadeia de montanhas ao fundo de uma cena. Mas, mais do que isto, ele descobre o ponto exato em que as sombras terão mais destaque e o instante em que um sorriso se coaduna melhor com o panorama.

Benjamin o diz de uma maneira difícil: “Retirar o objeto do invólucro em que está, desvelando sua aura, é uma percepção, é a capacidade de captar o ‘semelhante’ no meio de um mundo de coisas, registrando um fenômeno único”.

Ele compara o ciclista que volta para casa com a câmera cheia de fotos da pedalada à um caçador: “O amador que volta para casa com inúmeras fotografias não é muito diferente do caçador regressando com vários animais e aves abatidos”.

Ele cita Trintan Tzara: “Quando o fotógrafo acendeu sua lâmpada de mil velas [o flash] e o papel sensível a luz absorveu os contornos de um objeto, ele tinha descoberto o poder de um relâmpago terno e maravilhoso que encheu nossos olhos de prazer”.

Por isso a câmera precisa estar sempre a mão para flagrar o momento especial e cheio de mágica.    



publicado por joseadal às 17:27
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