Quarta-feira, 19 de Março de 2014

Quem pode viver do passado? Mesmo eu e as pessoas da minha idade, 70 anos ou mais, não vivem olhando para trás. Às vezes, procurando a foto de um lugar que já estive vejo uma cena, ali, congelada, que me recorda um pedal alegre, cercado de amigos e o esforço despendido em fazer o percurso. Como diz Roberto: são tantas emoções. Mas as idas ao baú são raras, a gente continua mesmo é olhando para frente e para o hoje.

(com o amigo Pedroso num caminho que rodeia Stan Isabel do Rio Preto, há muito tempo)

Mas no livro que acabo de ler, A Brincadeira, o personagem diz que isso pode ser só aparente: “Minha vida inteira foi sempre povoada de sombras, e nela o presente provavelmente sempre ocupou um lugar muito pouco digno. Imagino que estou numa esteira rolante (o tempo), correndo em cima dela na direção inversa para onde vai. Mas ela se move mais depressa do que eu, o que faz com que me carregue para o oposto do lugar para onde me dirijo. Esse lugar do qual aparentemente me afasto (estranho ambiente situado lá atrás), o passado, na realidade está sempre ao meu lado”. Ele sofreu pesadas decepções como criança e adolescente, teve perdas. Parece que essas fortes marcações ao longo da vida estão sempre nos atraindo ou nos fazendo tomar decisões no presente e para o futuro. Nossas atitudes de agora teriam seus motivos naquele lugar, no passado. O personagem reflete assim sentado debaixo de uma árvore numa visita rara a aldeia em que nasceu: “Esses jardins cercados de muros e os velhos telhados me fazem pensar que tudo que me cerca, afinal, não é presente, mas passado que se agarra a mim”.

Tem alguma coisa nos prendendo ao passado?


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publicado por joseadal às 11:21
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