Terça-feira, 07 de Junho de 2011

Em um verso de Casuza há um desafio:

Brasil, mostra tua cara

quero ver quem paga

pra gente ficar assim...

A história, como cobertores estendidos uns sobre outros, encobrem origens de situações atuais. Como por exemplo, a relação Brasil-Inglaterra. Quanto de nosso ouro sustentou os reis britânicos e quantas vantagens sempre levaram nos negócios sem misericórdia que fazem conosco, país mais pobres! Com certeza, nas voltas que a vida dá, a riqueza inglesa há de voltar para as mãos dos mais pobres.

Mas lendo o livro A Caminho de Jerusalém encontrei o que pode ter sido a primeira ligação dos anglos com os latinos portugueses.  Aconteceu na 2ª Cruzada.

"O exército de cruzados inglês tinha sido formado para se juntar à enorme expedição. Mas os ingleses acabaram ficando retidos em Portugal, onde cercaram Lisboa, que, evidentemente, era difícil de comparar com Jerusalém, mas, de qualquer forma na época, era uma fortaleza islâmica".

No romance de José Saramago, O Cerco de Lisboa, o escritor português conta a ajuda que os ingleses deram ao rei Manoel para tirar os árabes - que nossos antepassados denominavam mouros - de sua cidade. Apesar de terem levado muita pilhagem os portugueses ficaram devedores e daí por diante, cada cobertor da história que levantamos, lá estão os ingleses auxiliando e levando vantagem. Como quando, em 1808, ajudaram Dom joão VI a fugir de Napoleão e ganharam a abertura dos portos do Brasil as nações 'mui amigas'. Ô gentalha!

Tem mais um pedacinho do livro, quer lêr?

"Depois de quatro meses de cerco, tendo prometido aos defensores da cidade salvo-conduto, a guarnição moura desistiu e, em seguida, restou para os cristãos fazer o que restava fazer [faça o favor de lêr com bastante ironia]: pregar na cruz, esfolar e atravessar pela espada, cortar o pescoço e queimar, violentar e pilhar, tudo em nome de Deus e pela eterna salvação de suas almas. Depois disso, os ingleses ficaram saturados da Guerra Santa e voltaram para casa".

E assim ficamos eternamente gratos e pagando juros sobre juros até aparecer um torneiro mecânico sem um dedo que, eleito presidente, mandou pagar logo "a merda desta dívida" e dar 'o ponta pé inicial do segundo tempo' em que poderemos virar o jogo contra os ingleses. Mas com muita ternura, como ensinou Che Guevara.



publicado por joseadal às 23:05
Não acompanho questões políticas. Posso dizer que sou analfabeta nesta matéria.
Gostaria apenas de dizer quanto ao texto que é lamentável fazer tantas aberrações em nome de Deus. Guerras Santas... Guerras nunca foram e nunca serão santas. Este tipo de coisa precisa acabar, não é mesmo?
vanice ferraz a 8 de Junho de 2011 às 02:14

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