Domingo, 12 de Junho de 2011

Lembrei agora mesmo de uma música. É de Zé Ramalho. Procurei em meus discos e o achei, mas a canção não estava lá. Fui pra internet e no Google coloquei: fiz aquele prédio e não posso entrar. E lá estava a cantiga triste em Cidadão. Olhe só esses versos.

Tá vendo aquele colégio moço? Eu também trabalhei lá.

Lá eu quase me arrebento fiz a massa pus cimento ajudei a rebocar.

Minha filha inocente vem pra mim toda contente:

pai vou me matricular.

Mas me diz um cidadão criança de pé no chão aqui não pode estudar

Essa dor doeu mais forte...”.

No livro Os Manuscritos Econômicos Filosóficos, de 1844, Karl Marx pensa o trabalho, seja do patrão ou do empregado:

"Quanto mais ele produz, mais lhe é subtraído. O homem se torna uma mercadoria tão mais vil quanto maior é a quantidade que delas produz. A desvalorização do mundo humano cresce em relação direta com a valorização das coisas materiais. O trabalho não produz só mercadorias, torna o próprio homem um objeto. O operário vem a se encontrar em relação ao produto do seu trabalho como um estranho. O produto material do trabalho, o objeto por ele fabricado, é vendido não se sabe a quem. A estranheza do trabalhador ao seu objeto se exprime pelo fato de que quanto mais produz, tanto menos tem para consumir; quanto mais valor agrega ao que faz tanto menos valor e dignidade possui; quanto mais belo seu produto tanto mais ele se embrutece. Constrói palácios, mas ele mesmo mora numa espelunca na periferia. Até as edificações para o espírito torna o trabalhador mais idiota e cretino. O produto é o resumo de toda uma intensa atividade, mas se o seu resultado é a alienação do homem este trabalho não é bom”.

Esta semana ouvi um discurso da presidente Dilma em que ela prometia uma condição de trabalho mais humano para os catadores de recicláveis. Não lhe dói pensar em homens, mulheres e crianças disputando um objeto que foi jogado fora por nós?

  



publicado por joseadal às 01:58
Infelizmente, a ganância é a desgraça do mundo. Nós, os seres humanos somos vítimas deste sentimento desprezível. É por isso que existe tantas injustiças e exploração do homem. Os poderosos querem sempre mais poder; os ricos querem sempre mais dinheiro; os produtores querem sempre maior produção... e assim vai, não se importando com aquele que lhe proporciona o resultado esperado. Todos estes infelizes explorados merecem ser valorizados e ter melhores condições de vida. Realmente, a Presidente Dilma poderia pensar em algo melhor para os catadores de recicláveis. Talvez proporcionar-lhes meios para tratar esses recicláveis e produzirem também. Dar-lhes treinamento e local para a produção. Isso sim, poderia lhes dar melhores condições de vida.
vanice a 12 de Junho de 2011 às 16:34

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