Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Olhe para uma pedra, não, não uma pequena, mas uma rocha enorme, uma que você tenha de levantar os olhos aos poucos, depois a cabeça toda para poder vê-la inteira. Uma pedreira. Aproxíme-se, olhe-a com atenção. Ela não é cinza nem marrom, como parece a distância, mas toda marchetada, um mozaico, é carijó. Em um livro de Geoquímica é explicado que "pelas propriedades químicas foi possível catalogar as preferências de cada elemento químico para agregar-se à outros na forma silicática, metálica ou de sulfeto".

É quase como se um elemento, o ferro por exemplo, soubesse que tem uma missão ou pode se agregar a um outro tipo de elemento, como o magnézio, por exemplo.

"A formação de uma rocha envolve, segundo certas condições, a combinação de macroconstituintes em proporções certas o que resulta em fórmulas precisas de minerais".

Já fez um bolo? Eu já ajudei a bater, a raspar o resto que fica na vasilha e a comê-lo depois. Dizem que para um bolo ficar bem gostoso precisa ser feito com  amor e seguindo uma receita. A quantidade certa de cada material, um jeito ideal de misturar a massa e o tempo adequado no calor do forno. Como é então, que é feito um batólito - uma rocha montanhosa, como o Pão de Açúcar, por exemplo, sózinho? Se não quem bateu todos os elementos nas gigantescas proporções certas usando um calor ideal?

"A situação se complica quando se tenta uma avaliação completa em termos de todos os minerais de uma rocha, pois a cada um correspondem composições e energias diferentes".

Olha, 'me acompanhe-me em meu' raciocínio. Um elemento junta-se a outro por uma afinidade química quântica, quintilhões de átomos de um mesmo elemento juntam-se a outros tantos átomos de outros elementos, mas a mando do quê ou de quem? Quem são os guardiões de todo este intrincado mundo de meu Deus?



publicado por joseadal às 23:28
Domingo, 25 de Setembro de 2011

"A 'alegoria da caverna' não ilustra apenas a essência da formação, mas permite, ao mesmo tempo, a apreensão de uma transformação essencial da 'verdade'". Quem diz isto é Martiln Heidegger, filósofo alemão comentando uma parábola de Platão no livro A República.

Ora, a verdade não é uma só? Então, como pode haver transformação da verdade? Vamos ler o professor.

"A essência da 'verdade' e o modo de sua 'transformação' é que tornam possível a 'formação da alma' em sua estrutura fundamental. Mas, o que une a 'formação' e a 'verdade' em uma unidade essencial originária?"

Gente, será que o mestre Platão pode nos desvelar aquilo que Pilatos perguntou ao outro mestre, Jesus: o que é verdade?

"A palavra nomeia a reorientação do homem inteiro no sentido do deslocamento para fora da esfera em que está, levando-o para um outro âmbito em que o essencial aparece e a que o homem se adapta. Este deslocamento só é possível porque se transforma tudo o que até aqui era evidente ao homem e o modo como era evidente. Tanto o modo do desvelamento quanto o que é desvelado ao homem precisam transformar-se. Desvelamento se diz em grego palavra que se traduz por 'verdade' que no pensamento ocidental se entende, há muito tempo, como a correspondência da representação pensada com a coisa: adaequatio intellectus et rei. Não nos contentemos, todavia, em traduzir as palavras apenas literalmente. Busquemos, ao contrário, pensar a partir da sabedoria dos gregos a essência real indicada nas palavras traduzidas e, então, imediatamente, "formação' e 'verdade' se unirão numa unidade essencial".

Será!?

"A 'alegoria da caverna'  trata da essência da verdade e o que quer dizer com 'desvelado' e 'desvelamento' está manifestamente ligado a região de domicílio do homem. Ela conta a história das transições de um domicílio a outro em uma seqüência de quatro diferentes domicílios em uma gradação peculiar, tanto ascendente quanto descendente. As diferenças dos domicílios e dos estágios das transições evidenciam diferentes modos da 'verdade' que domina em cada ponto. Por isso o 'desvelado', deve ser pensado e nomeado em cada estágio.

No primeiro estágio, os homens vivem acorrentados na caverna e aquilo que vêem os cativa. 'Os assim acorrentados tomam absolutamente como o desvelado apenas as sombras dos objetos reais".

O segundo estágio relata a retirada das correntes. Os acorrentados estão agora livres, embora permaneçam trancados na caverna. Na realidade, agora podem virar-se para todos os lados. Abre-se a possibilidade de verem as próprias coisas que, antes, estavam atrás deles. Aqueles que antes só olhavam para as sombras chegam a ver a luz do fogo artificial da caverna. Quando vêem apenas sombras elas mantêm cativo o olhar e, assim, se antepõem às coisas mesmas. Se o olhar, porém, se liberta do cativeiro das sombras, então, o homem, assim liberto, alcança a possibilidade de chegar ao âmbito do que está 'mais desvelado'".

O mestre Jesus descreveu a "verdade" assim: "É como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais [estágios do que é real] até ser luz perfeita". Então, saber a verdade demanda teeemmmpooo. também implica numa procura, ser curioso para "ver" mais adiante e a ajuda de quem já chegou ao outro estágio de descoberta. É melhor, para não se dar vexame, não dizer ou pensar: eu sei a verdade.   



publicado por joseadal às 12:07
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Será que você aguentaria ler a República, de Platão, um livro grosso, sem aventuras, damas enamoradas ou descrições eróticas? Dia desses, numa pequena rua de Nova Iguaçu onde fazem ponto caminhões de frete, vi um homem lendo-o, era um exemplar de páginas amareladas. Já bem avançado no livro o homem jovem de aparência simples parecia estar gostando do jeito de ensinar do mestre grego Sócrates, de quem Platão era discípulo. Faça um esforço e leia só um pedacinho da "alegoria da caverna" uma parábola importante deste livro e veja se percebe a lição do mestre a um aprediz. 

"Pessoas vivem numa morada cavernosa. Esta dispõe, acima, na direção da luz do dia, de uma entrada. Nesta morada, as pessoas estão acorrentadas desde a infância. Por isso, também, permanecem no mesmo lugar, de modo que só lhes resta olhar para o que se lhes opõe frente à face, estão incapacitadas de girar a cabeça. Sem dúvida, um brilho de luz lhes é concedido, a saber, o de uma fogueira que arde detrás, às costas deles. Na superfície há um caminho; onde pessoas passam carregando uma variedade de coisas, diversos artefatos humanos.

- Percebo. Você apresenta aí um quadro incomum e prisioneiros incomuns.

- Mas eles se assemelham bem a nós, homens. Pessoas assim, que nunca tiveram pela frente, seja por si mesmas, seja através de outros, a visão de algo além das sombras que a luz do fogo projeta sobre a parede da caverna que elas têm defronte.

- De que outro modo poderia ser, se estão obrigadas a manter a cabeça imóvel durante a vida inteira?

- Então, o que vêem elas das coisas que são carregadas às suas costas? Não vêem justamente isso, sombras?

- Realmente.

- Se elas, então, estivessem em condições de falar sobre o que viram, e de discutir umas com as outras, você não acha que elas tomariam o que ali vêem pelo real?

- Por Zeus, a isso estariam obrigadas.

- Considera agora a hipótese de os prisioneiros serem liberados das correntes e obrigados a, subitamente, olhar para cima, na direção da luz, ele só suportaria isso à custa de dores, e tampouco estaria em condições, por causa do brilho, de olhar para cada coisa da qual antes ele via a sombra. O que pensas que diria, se alguém lhe fizesse saber que ele antes via nulidades, mas agora, enxerga corretamente. Você não acha que ele aí não saberia o que fazer e, além disso, consideraria o anteriormente visto mais desvelado do que o que agora lhe é mostrado?

- Inteiramente, com certeza, disse ele".

Entendeu, não é? Pobres dos que desde a infância são enganados e acreditam em sombras, mentiras! E feliz você que vê tudo claramente, não é? Acorda! Todos nós estamos numa caverna escura e sempre se descobrirá coisas novas, pois o que agora parece claro é só uma sombra e ainda está para chegar o real.



publicado por joseadal às 23:50
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Você quer conhecer? Então precisa estudar, quer dizer, lêr com concentração e refletir, associar o que  já sabes com o novo que estas aprendendo. O filósofo Martin Heidegger escreveu o ensaio A Doutrina de Platão sobre a Verdade onde diz:

"Para que possamos experimentar e, depois, conhecer o não-dito de um pensador, seja de que tipo for, temos de refletir sobre o seu dito. Satisfazer essa exigência devidamente implicaria discutir todos os diálogos de Platão em sua interconexão. Visto que isso é impossível, um outro caminho deve conduzir ao não-dito no pensamento de Platão".

Então perguntas: - O que é o não-dito?

É a entrelinha, é os novesfora, é o que se quiz dizer, ou como diz o matuto "enquanto cê ia com o milho eu voltava com o fubá". Quando um mestre nos ensina uma coisa, isto é, nos pega de onde estamos e nos leva mais a frente, ele mesmo já não está mais ali, já se encontra bem adiante. O mestre sempre nos ensina tudo, menos o pulo do gato, aquilo que ele descobre para si enquanto está a nos ensinar. Então, quando você estuda a opinião de um professor procure também o não-dito, o que ele sabe e não te disse.

"O que nele permanece não-dito é uma mudança na determinação da essência da verdade. Essa mudança que se consuma para ele, no que ela consiste, fica estabelecido através dessa transformação da essência da verdade".

Quando Jesus ensinava às multidões o pessoal voltava para casa satisfeito: este sim, ele não fala como os fariseus, ele ensina com autoridade! Mas uns poucos não iam embora, queriam saber o não-dito, o que o mestre sabia e não falou: diga-nos, o que significa a parábola do semeador? o que o Senhor sabe que eu não sei?

Estou lendo um artigo em que vai ensinar a ver nas entrelinhas do que Platão ensinou o que ele tinha compreendido a mais e não nos falou. E esta hermenêutica poderá ser usada em todas circunstâncias em que aprendemos. O que é a mesma coisa que dizer, sempre.



publicado por joseadal às 02:20
Sábado, 17 de Setembro de 2011

No livro Quatrocentos Séculos de Arte Rupreste, escrito pelo arqueólogo francês Abade Breuil, li uma informação sobre a Iniciação. "Quando visitamos uma caverna decorada, penetramos num santuário onde há milênios desenrolaram-se cerimônias sagradas para introduzir os noviços nas instruções fundamentais necessárias a uma conduta sábia em suas existências".

 

A iniciação tanto serve para iniciar um jovem na vida adulta quanto para tornar um adulto pronto para uma profissão ou uma atividade filosófica.

"Os afrescos pintados pelos homens da Idade da Pedra nos cantos afastados das cavernas e a dificuldade dos meandros apertados a percorrer no interior da Terra para chegar até eles, parecem trajetos iniciatórios em que as estações da via sacra, murais com imagens de animais, vão conduzindo o escolhido pouco a pouco a uma pequena sala subterrânea onde passava noites de vigílea e meditação; muito semelhante ao escudeiro da Europa medieval que ficava na capela do castelo orando e se mortificando antes da manhã em que seria sagrado cavaleiro". 

Para o quê serviam estas cerimônias? "Por que o iniciado precisava percorrer sala após sala, contemplando as imagens místicas em cada uma delas e passando por estreitos buracos, até chegar ao fundo escuro do abismo onde corre um rio, suas águas que lembram a vida produzindo um som entorpecedor? Qual era o objetivo final? Era a revelação, a compreensão do Todo".

Correndo, correndo e correndo feito um hamsteres não dá a ninguém a mínima chance de compreender o sagrado: quem eu sou.           



publicado por joseadal às 16:18
Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

O filósofo grego Herão de Alexandria (10-70) descobriu que se enchesse de água, por um bico torto, uma vasilha herméticamente fechada e a pusesse no fogo pendurada por umaum eixo em que pudesse girar, o vapor ao sair pelo bico faria a vasilha girar. Mas nem por isto inventaram o motor a vapor, como nos trens. Passou quase 1.800 anos até James Watt (1736-1819) inventar um motor desses para puxar minério do fundo das minas.

Tudo tem um tempo certo para suceder? O professor e filósofo australiano Vere Gordon Childe (1892-1957) diz (em espanhol):

"Dar por sentado que la tecnología ha avanzado como sobre rieles hacia un objetivo fijo, predeterminado, es sostener una tesis sin fundamento. Por el contrario, es perfectamente razonable afirmar que el proceso ha determinado su propia dirección, y que los rieles han sido tendidos paso a paso, de acuerdo con el propio desarrollo. El carácter histórico de un proceso reside precisamente en su autodeterminación".

Bem, para ele não é preciso um senhorio celestial para comandar a evolução, seja em qual sentido for. Mas é necessário, sim, algumas condições para se fabricar um produto novo.

"Aseguró a Watt el suministro de los materiales y de la fuerza de trabajo necesaria para la fabricación de las máquinas de vapor un sistema económico específico que había organizado la distribución de productos y que obligaba a los hombres a trabajar, un sistema que no existió siempre, y que, por el contrario, se desarrolló gradualmente en Inglaterra durante los siglos XVI y XVII".

Veja só, para a fabricação de uma monstruosa máquina a vapor não foi só importante nascer um homem genial e especial, ele precisou nascer no tempo certo quando já existia mercado para sua invenção e até uma força de trabalho organizada. Uma descoberta envolve muitos fatores. 

"Por consiguiente, para comprender la invención de Watt como un hecho histórico debemos tener en cuenta estas relaciones de producción. Y un examen más atento revelaría la existencia de factores políticos, legales Y aun religiosos".

Segundo Gordon é preciso pensar cada avanço humano não como um empurrão divino.

"He esbozado el progreso como una secuencia lineal permanente de hechos. Pero los diversos hechos parecen constituir una línea recta sólo cuando se los contempla desde muy lejos, es decir, muy abstractamente. En realidad, el camino del progreso se dibuja como una línea definidamente errática".

Você também pensa assim ou acha diferente? Estamos sozinhos e resolvendo tudo por nossa conta?


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publicado por joseadal às 23:27
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011

"Eu medi os céus,

agora, as sombras eu meço.

Ao firmamento viaja a mente, na terra descansa o corpo".

Estas foram as palavras que Johannes Kepler (1571-1630) escolheu como epitáfio. Vou escolher algumas
palavras para falar deste homem, mas nem cem livros poderiam descrever bem seus
sofrimentos físicos, sua dedicação profissional intransigente e sua fé na
soberania de Deus sobre o Universo que o fortalecia.

E o que ele fez na vida? Simplesmente, mostrou a humanidade o que é o céu
estrelado. Juntou tudo o que os astrônomos tinham aprendido desde Babilônia com o que
foi explicado por Ptolomeu e mais o que dois estudiosos do seu tempo (Nicolau Copérnico e Ticho Brahe)

haviam descoberto. E o que foi?

Primeiro,
é a Terra que como um globo gira em torno do Sol e não o contrário.

Segundo,
Marte, a Lua e os outros planetas não estão presos em esferas translúcidas, mas
soltos seguem seus caminhos pelos céus.

Terceiro,
o Sol tem um magnetismo que mantém todos os corpos em sua volta - Newton
chamou esta força da gravidade.

Quarto,
a geometria, a matemática com suas figuras e sólidos, pode explicar o
movimento, ao mesmo tempo solto e preso, dos corpos celestes.

Aí você diz:

- Ora, eu também sei isto tudo!

Então, sabidão, me diga:

Já meteu em tua cabeça que um pedacinho da tua pele, como uma lasquinha do teu
carro, são cadeias de átomos que são campos de energia? E compreende mesmo que
todo o esforço que despendemos para juntar coisas, na realidade estamos tentando segurar o vento?

Kepler,
sempre muito doente e sofrendo dores o tempo todo descobriu, se deu conta, que
antes entendia tudo errado, não existe "firmamento" - aprendeu o
certo e mudou seu jeito de olhar o céu - é um Cosmo. Pelo que sofreu no corpo e
pelo tanto que nos legou será que Deus, que tanto amou, concedue-lhe que já não
havia mais necessidade de voltar a este planeta de expiação e está aprendo mais
e ajudando seres em um plano mais elevado?

Então,
você que foi Kepler, onde esteja, estás medindo luz e não sombras.        


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publicado por joseadal às 23:48
Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Permita-me compartilhar contigo este comentário feito pelo físico Marcelo Gleiser no livro Dança do Universo:  "Cláudio Ptolomeu, que viveu no primeiro século da e.C, produziu seus trabalhos entre 127 e 141 d.C., em Alexandria, na época uma província romana. Sua obra-prima, chamada pelos astrônomos árabes de Almagest (O Grandioso) se tornou o texto base de estudo da astronomia até o final do século 16. Ptolomeu baseou-se nas idéias de Aristóteles e na astronomia de Hiparco para criar uma descrição completa dos movimentos dos corpos celestes passíveis de observações. Sua obra astronômica é a coroação do apelo de Platão para alguém descobrir uma teoria que explicasse os fenômenos, e fizesse uma descrição do Universo em termos de rodas e mais rodas, eternamente girando sob o controle do Movedor Imóvel. O que pode ter motivado Ptolomeu a estudar o firmamento? Para ele, assim como para Platão e para Aristóteles, os corpos celestes são uma manifestação direta da inteligência divina. O estudo dos céus servia como um veículo de ascensão espiritual para o astrônomo. Por intermédio de seu trabalho ele liberava-se das limitações e trivialidades da vida diária, em busca de uma existência moral e ética superior; para Ptolomeu, a astronomia estava profundamente ligada à filosofia moral".

Não importa se você e eu somos comerciantes, médicos, advogados ou desenvolvemos outra profissão qualquer, nosso ideal deve ser de "por intermédio do trabalho nos liberarmos das limitações e trivialidades da vida diária". Eu e você já ouvimos dizer que 'a vida é uma escola', mas para aprender o quê? Ganhar dinheiro, executar bem a profissão que escolhemos? Nana nina não! Há que se "buscar uma existência moral e ética superior".

Um dia desses recebi o resultado de 4 dias de prova: passei! Mais uma vez minha vida vai dar uma guinada, vou aprender coisas novas. Há que ser para me tornar melhor como pessoa. Então, o resumo desta ópera é poder exclamar como fez nosso Senhor Jesus: Eu venci o mundo!



publicado por joseadal às 23:16
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

Há tantas coisas para se fazer, uma tal variedade de profissões, artes e estudos que ninguém consegue dar conta de tudo. Uns gostam de fazer ciclismo, outro prefere corrida, rapel, salto de paraquedas, asa delta, surfe, esqueite, bilhar, e por aí vai. Não é mal um ciclista tentar fazer a cabeça de quem não pratica nenhum esporte para vir pedalar, mas mudar a idéia de um motoqueiro, insistir com ele para trocar a 'robusta' por uma 'magrela', nem pensar.

Estou falando isto tudo a propósito de um panfleto que um evangélico me deu na rodoviária. Não, não estou me referindo ao proselitismo dele pra cima de mim, mas pelo que estava escrito no prospecto.

No tempo de Jesus, ano 783 da fundação de Roma, já havia muito para se preencher a vida. O mestre tinha um objetivo, começar uma nova era baseada no amor. Que coisa efêmera é esta emoção! Quem se interessaria por levar a vida baseando-se nisto ao invés de na ambição, na violência ou na luxúria. Ele saiu procurando por esses.

Ele nasceu, propositalmente, no meio de uma gente que tinha uma cultura messiânica, quer dizer, nasciam e cresciam ouvindo em casa, na sinagoga, nas ruas, que um dia nasceria um Salvador que consertaria o mundo com justiça. Então apareceu Jesus de Nazaré com uma mensagem de dias melhores, mas não conseguida pela Justiça ou pela Força e sim pelo Amor. Não combinava. O discurso era o que os judeus aguardavam ouvir, mas os meios, a filosofia daquele mestre, não era a que esperavam.

 

Um dia Ele leu na sinagoga de sua cidade uma passagem das Escrituras Sagradas [a mesma que está no "santinho" que o "crente me deu]: "Ele foi rejeitado e desprezado por todos; ele suportou dores e sofrimentos sem fim. Era como alguém que desprezávamos. No entanto, era o nosso sofrimento que ele estava carregando, era a nossa dor que ele estava suportando. Deus diz: 'ele não cometeu erro algum, mas está sofrendo o castigo que muitos merecem e assim os seus crimes serão perdoados", Isaias 53:3-5.

Isto estava escrito há 700 anos, mas ninguém ligava esta profecia ao Messias. Ora, para a maioria o Salvador viria, de preferência, num cavalo branco. Mas têm aqueles que se ligam nos mistérios. Pode ser um pescador, como Pedro; um fiscal de impostos, como Mateus; um advogado, como Paulo; ou um médico como Lucas. Tem gente que guarda um espaçozinho em sua cabeça para pensar estas coisas.

Um desses há muito tempo guardava esta dúvida em seu coração, aproveitou e perguntou: "Mestre, de quem falou isto o profeta, de si mesmo ou de algum outro?"

"Quer saber? Eu te explico". E Jesus 'fez a cabeça' dele. Ele era o Messias prometido.

Bem, nós continuamos cheios de coisas para pensar, mas guarde em si um recanto para prestar atenção no insondável.                   



publicado por joseadal às 23:45
Domingo, 11 de Setembro de 2011

Prego isto, insisto mesmo em ensinar uma coisa que faço, ler humanidades. Agora, encontrei alguém como eu, a professora Martha Nussbaum: "Amo a liberdade e acredito que retribuo esta alegria escrevendo a respeito". E o que ela acredita ser o melhor para a defesa da liberdade? "O estudo das humanidades estimula a imaginação e o pensamento crítico, gerando inovações e ambientes mais sadios".

Fico triste de ouvir um proflissional - seja dentista, médico, advogado - dizer que só tem tempo de ler (e mal) informações sobre sua área de trabalho.

"Treinar um jovem para ser técnico é bom, mas não é tudo, uma máquina pode fazer isto. No entretanto precisamos de pessoas que sejam capazes de pensar claramente, analisar problemas e imaginar algo novo".

Aí está. O conhecimento geral - exemplo, saber que apesar de nunca ter saído de sua cidade Emmanuel Kant conseguiu pensar o que é a Razão e como utiliza-la - liga muito mais neurônios e nos torna mais lperceptivos.

"Acredito que as habilidades desenvolvidas por estes conhecimentos são constitutivas da boa cidadania". 

Sim, porque sob a veste profissional existe o humano, o cidadão, o que interage com outros durante esta longa vida. E esta relação humana precisa ser bem variada para abranger todos os aspectos da existência. Para tal precisamos ser formados em Humanidades (ou Conhecimento Geral ou Ciências Naturais).        



publicado por joseadal às 13:46
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