Terça-feira, 25 de Dezembro de 2012

Minha filha mais velha foi taxativa: o senhor tem idéias esotéricas e isso pode confundir as crianças.

Contrafeito, me debruço no que ensinou o velho Platão sobre os que estudam 'outras coisas'.

"Por isso, também, aquele que foi ofuscado [por 'coisas' que o pai anda falando] não consegue compreender que o anteriormente visto é apenas uma sombra das coisas. É verdade que agora o liberto vê algo diferente das sombras, porém, [quando fala para a filha] tudo parece um emaranhado sem par, em comparação com o qual as sombras mostram contornos firmes".

Diz você: - Ao invés de falar no geral dê um exemplo claro, seu Zé!

Não dou! Vai que ela lê seu pai, que a carregou nas costas pelas ladeiras da Bahia, dizendo com todas as letras que o que ela "acredita de todo coração e de toda mente" e ensina aos seus filhos, meus dois lindos netos, é uma 'sombra' e que a 'verdade', meio complicada, é outra? 

E tem mais! A 'verdade' que aprendi ainda não é a "mais desvelada".

Martin Heidegger explicando a Alegoria da Caverna, de Platão, diz:

"Por isso, a palavra 'verdade' ocorre, novamente, agora no comparativo, como o 'mais desvelado'. Pois mesmo o homem liberto de suas correntes ainda se engana ao avaliar o 'verdadeiro', porque a ele falta a condição prévia do 'avaliar', a liberdade. É verdade que a retirada das correntes traz uma liberação. Contudo, estar desacorrentado ainda não é gozar da verdadeira liberdade".

Como é que eu, que minha filha chama de esotérico, pode querer ensinar a ela: você está 'vendo errado', filha!; se estou longe de conseguir 'ver o certo'.



publicado por joseadal às 19:08
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