Sexta-feira, 04 de Janeiro de 2013

Gosto de Mulheres de Atenas, de Chico Buarque, ou por que sou romântico ou por ser um inveterado machista.

“Mirem-se no exemplo / Daquelas mulheres de Atenas / Vivem pros seus maridos / Orgulho e raça de Atenas / Quando amadas, se perfumam / Se banham com leite, se arrumam Suas melenas / Quando fustigadas não choram / Se ajoelham, pedem, imploram / Mais duras penas; Helenas”.

Houve mesmo uma época assim, em que as mulheres tinham o maior orgulho de atender seu homem: “Despem-se pros maridos / Bravos guerreiros de Atenas”?

O livro I da Mitologia Grega, do professor Junito de Souza Brandão, ensina que a Grécia Clássica dividiu-se em três épocas: Jônica (de 2.600 a 1950 a.C), Aqueia (1600 – 1100 a. C) e Dórica (1100 – 750 a.C). O tempo em que as mulheres foram decantadas na Ilíada, de Homero, “Quando eles embarcam soldados / Elas tecem longos bordados / Mil quarentenas / E quando eles voltam, sedentos / Querem arrancar, violentos / Carícias plenas, obscenas”, foi a época Aqueia. Quando chegam os Dórios e vão conquistando tudo já os costumes eram outros, ou suas mulheres pensavam diferente. Começou o tempo das mulheres espartanas. O professor, ensina: “O retrocesso dório foi responsável por transformações sociais bem acentuadas. O equilíbrio patriomatrilinear [aquela estranha atitude entre o marido e sua mulher que Chico descreve, assim:

“Quando eles se entopem de vinho / Costumam buscar um carinho / De outras falenas / Mas no fim da noite, aos pedaços / Quase sempre voltam pros braços / De suas pequenas, Helenas”] mercê da influencia cretense é inteiramente rompido. A graça e a feminilidade de outros tempos foram substituídas por uma concepção utilitarista. A mulher espartana era uma atleta e tinha a função de ser uma matriz sadia”. Eram tão pouco afetuosas que entregavam seus filhos, aos cinco anos,  para serem criados pelo Estado.

- Como pode os padrões mudarem tanto, Zé?

Ora, as jovens que malham hoje nas academias também não são completamente diferentes de suas bisavós? E isso foi em menos de 100 anos. Entre as “mulheres de Atenas” e as “mulheres de Esparta” houve um espaço de 500 anos. As bisavós eram assim:

“Elas não têm gosto ou vontade, / Nem defeito, nem qualidade; / Têm medo apenas. / Não tem sonhos, só tem presságios / Com seu homem, mares, naufrágios.../ e lindas sirenas, morenas”.  

Não se espante, nem aposte em situações irreversíveis, pois "tudo muda o tempo todo". Mas foi outro poeta que disse isso.  



publicado por joseadal às 22:04
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