Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Nenhuma novela consegue imitar uma parte muito intensa da vida, mas na biografia de Élio Adriano li sobre isto com grande emoção. Suspenda a tua censura por um instante, por favor.

"Soprava um vento singularmente frio. Antinoo deitado no estrado do barco, apoiara a cabeça em meus joelhos. Minha mão deslizou em sua nuca, sob seus cabelos".

Isto mesmo, é sobre uma relação homosexual. Aguente ler mais um pouco, neste texto se aprende alguma coisa sobre o amor. 

O imperador estava em Alexandria e despachava documentos chegados de Roma. Contrário as regras seu camareiro entra agitado no escritório: Antinoo saiu sozinho de barco, a horas, e não volta!

"Não havia mais nada a fazer senão explorar as margens. Sob o crepúsculo que caía rapidamente, avistei uma veste dobrada. Desci os degraus escorregadios, ele estava deitado no fundo, no lodo do rio".

O rapaz de 20 anos suicidara-se. O tempo passou um pouco, mas Adriano ainda sofria a perda.

"Esforço-me por amenizar meu crime, se crime houve, dizendo a mim mesmo que o suicídio não é raro. Lembro de lhe ter dito que Roma é preconceituosa, até admite o prazer, mas os romanos vêem no amor entre dois homens uma coisa insuportável. Não posso negar que ultimamente fui dominado pelo desejo de não pertencer a ser algum e a me irritar com ele como antes com minhas amantes romanas. Certo dia aconteceu-me esbofetea-lo".

Paz para os que foram e consolo e desculpas aos que ficam.

"Tudo se desmorona. Este aqui não é o Senhor de Tudo, mas apenas um senhor de cabelos grizalhos soluçando muito. Não, não posso assumir toda culpa como se meu amigo fosse um boneco de cera que esmaguei entre meus dedos. É imperioso que lhe deixe o mérito pela escolha da própria morte".

A corte acompanha o sofrimento dele com risos, zombarias e uma ou outra simpatia. 

"A imperatriz mandou-me mensagens de compaixão dizendo dispor-se a lamentar minha perda desde que me consolasse rapidamente. Mas, então, nem eu sabia que a dor contêm em si estranhos labirintos que tornam mais longa a tristeza e mais dolorosa a perda".

Esse foi Antinoo, o jovem grego.

Quer fazer um julgamento do caso? Está procurando uma pedra pra atirar?! 


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publicado por joseadal às 00:18
Antinoo era um belo jovem.
Lamentável o sofrimento destes meninos. Sofrem porque se sentem diferentes e discriminados.
Não podem ser culpados por se encontrarem fora dos padrões da sociedade.
Não podem ser discriminados por ninguém. Quem somos nós para discriminar alguém.
Cada um de nós têm suas diferenças e gostamos de ser respeitados.
Amo conversar com estes jovens. Trato-os com o maior carinho. Carinho é o que eles precisam. Minha filha tem vários amiguinhos assim e sempre que os encontro os trato com muito respeito e carinho. Eles são uns amores.
vanice a 30 de Julho de 2011 às 12:42

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