Quarta-feira, 05 de Outubro de 2011

Ainda era garoto, mas na escola sentia falta de alguma coisa quando o professor começava a ensinar um assunto novo e me perguntava: para que vai me servir isto? Sem entender qual o valor de um conhecimento novo quem se interessa por ele?

Continuamos a falar da "alegoria da caverna". Nesta parábola de Platão há os que vivem nas profundezas da cova e os que estão do lado de fora. O professor está na luz e os alunos estão na sombra. O mestre precisa vir nos buscar para nos levar para fora, mas para isto seus "olhos" e seu "corpo" precisam se adaptar a escuridão em que seus discípulos estão e com pedagogia e empatia levá-los passo a passo para a claridade, respeitando o time deles. O filósofo Martin Heidegger explica:

 "Platão também quer mostrar que a essência da verdade não consiste somente em se derramar conhecimentos na alma despreparada, como em um recipiente vazio. Ao contrário, a formação autêntica captura e transforma a própria alma, inteira, na medida em que, previamente, desloca o homem para o lugar essencial e o habitua a ele. Que na "alegoria da caverna" a essência da verdade deva tornar-se visível já é dito, com clareza suficiente, na sentença com que Platão introduz a história, no começo do Livro VII: 'E agora, nos moldes da experiência esforça-te para imaginar a essência e lembra que 'formação' e 'falta de formação', que são interdependentes, dizem respeito ao ser humano em seu fundamento'".

 Em grego Platão usou estas palavras: "periagogé hóles tês psýches é psýches periagogé". Notou a palavra "psýches", mente? E o substantivo "periagogé" que significa reviravolta.

 "Platão emprega também o adjetivo "periaktéon", revirado, para qualificar o poder ou instrumento que a alma tem para tomar a direção do mundo verdadeiro, deixando para trás o mundo do devir".

 Então, o teacher of english, começando a aula onde vai ensinar como se formam os tempos dos verbos, precisa levar a turma, seja por versos de Shakespeare ou pela letra de um música de Shakira, a ver a importância de usar o tempo verbal certo: I am, John e não I are, John. Pelo amor de Deus!

 Para quem quer que seja, quando falarmos de alguma coisa que pensamos saber bem temos de prepará-lo ou, como Platão ensinou, "periaktéon", ou revirado, "o adjetivo verbal terminado em téon significa 'o que deve ser girado'". Lembre-se: ele não sabe nem entende que o que você vai dizer é importante, ele está na sombra. Então é preciso virá-lo devagar para a luz e aí, somente então, vá despejando, no pobre, toda tua sabedoria. Que Deus livre o coitado!   

     



publicado por joseadal às 02:56
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