Domingo, 01 de Janeiro de 2012

Janeiro homenageia um deus grego, Jano, o guardião dos
portões e que é representado com duas faces, uma olhando para frente, o futuro,
um novo ano, outra voltada para trás, ao passado, o ano velho. Célia Cerqueira
diz: “As duas faces ou polos opostos são a expressão da dualidade que constitui
a própria natureza da vida e da experiência humana e se opõem e contrapõem em
todas as nossas decisões, de modo que o tempo todo fazemos escolhas” e nos
voltando ora para experiências antigas ora para esperanças futuras.

Há os que veem nos deuses da mitologia referencias a antigas lembranças de heróis que nos
visitaram no início dos tempos. Os historiadores e teatrólogos gregos e romanos
dizem que Juno foi o inventor dos barcos e navios, quem mostrou aos humanos
como navegar sobre as águas.

Na cultura herdada da África o Guardião das Portas é Exu, o orixá da comunicação e guardião
das cidades, das casas e do comportamento humano. Ele é quem deve receber as
oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e sua função
como mensageiro entre o mundo material e espiritual é de garantir que tudo seja
plenamente realizado. Ele abre os caminhos.

Não ocorreu nenhuma mudança entre sábado, 31/12/2011, e domingo, 01/01/2012.

Mas na psique humana existe estas portas, na realidade aquela que fecha é a mesma que abre.

Esta idéia está entranhada na gente. Pode ser a lembrança de crescer no útero e de repente sair
pela porta da vagina para o mundo cá fora. Pode ser a traumática passagem da
vida espiritual para dentro de um corpo material. As portas têm os gênios que
cuidam dela.

Um amigo de pedal, candoblecista, me fez ver que ao passar por uma
porteira não devia deixa-la bater. Gosto do som “ppppaaammm” do grande portão
batendo em seu batente. As ondas sonoras se propagam longe pelo pasto, entram
nas capoeiras e sobem pelos morros. Parece tão bonito, mas o amigo disse: “O guardião da porteira,
o Senhor que abre e fecha os caminhos, não gosta que batam assim com as tronqueiras”. 

Desculpe aí Esú Alaketú.
Que a vida que continua tenha seus seus caminhos abertos.



publicado por joseadal às 15:08
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