Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Em um tempo semelhante ao que decorreu da descoberta do Brasil até agora, Platão viveu, aprendeu e ensinou aos homens antes de surgir o outro instrutor, o divino Jesus.

No livro A República, o mestre grego pensou sobre a elevação do homem desde a caverna até a espiritualização que o nazareno ensinou. Para Platão a ascensão do ser humano desde a animalidade foi possível por causa das Idéias, as descobertas que como uma luz cada vez mais intensa nos arrasta até conseguirmos ver a Idéia de todas as Idéias, que ele nomeou de o Bem.

"Ela é o supra-sensível que se avista com o olhar não sensível, o Ser que é inconcebível para as ferramentas do corpo. E o mais elevado no domínio do supra-sensível é aquela Idéia que, como Idéia de todas as Idéias, é a causa da subsistência e do aparecer de todo ente. Como essa 'Idéia' é, desse modo, a causa de tudo, ela é, também, a Idéia que se chama 'o Bem'".

Neste ponto de seu arrazoado o grego junta as duas pontas: a Idéia do Bem, a luz maior, não é Outro senão nosso Criador, Deus. Assim comentou Heidegger muito depois, no final do século 19.

"Essa causa mais elevada e primeira é denominada por Platão, e do mesmo modo por Aristóteles, de o Divino. Desde esta interpretação do Ser dos seres como o pensamento mais elevado a Metafísica tornou-se Teológica. Neste caso, teologia significa a interpretação na qual a 'causa' do ente, nós a humanidade, é Deus. Esta interpretação do Ser como sendo Ele mesmo a Idéia maior, ou o Bem essencial, deve sua preeminência a uma transformação e exigiu uma excelência do olhar voltado sobre as Idéias. A essa exigência corresponde uma compreensão do papel da Verdade na 'formação' do homem".

 

Neste nosso mundo em que um carro de último modelo é a melhor definição de um homem e passear/comprando no shoping a melhor ocupação que se pode fazer do tempo, as pessoas se afastam da grande descoberta feita há 2.500 anos por Platão e confirmada há 2.000 anos por nosso Senhor: viver em Deus nos dá o melhor conhecimento e nos afasta em definitivo dos brutos que já fomos. Heidegger reflete: 

"Toda a Metafísica é dominada pela preocupação com o ser-homem e com a localização do homem no seio do ente Supremo. O início da Metafísica no pensamento de Platão é, ao mesmo tempo, o início do 'humanismo'. Essa palavra é pensada aqui na sua significação essencial e, portanto, mais ampla. Daqui em diante, humanismo refere-se ao processo encadeado que compreende, desde o início, o homem mudando sempre de lugar, segundo diferentes perspectivas, mas sempre conscientemente se dirigindo, para um centro, para o Ente mais elevado. Neste caso, "homem" significa, ora o traço humano, ora a Humanidade, ora um indivíduo, ora uma comunidade. Trata-se sempre de levar o "homem", o animal rationale, ao âmbito da estrutura metafísica do Ente de forma fundamental e bem firmada, conduzido-o à emancipação, à certeza de sua determinação histórica, e à garantia de que é imortal".

O shoping e o carro não são os lugares certos para nos levar a identificação com o Ente Supremo e a imotalidade.



publicado por joseadal às 23:17
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