Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

Agora vou te contar como começa o amor. Vou te desvendar o momento mágico, aquela primeira vista. Li neste instante. Achei-o ao pé de uma página e acabei de ler. Quem escreveu foi o louco do Henry Miller: "Por que me olhava tão fixamente quando eu lhe contava a história? Havia um brilho em seu rosto que nunca poderei esquecer. Hoje, penso saber o que era. Acho que a fiz parar: parar aquele incessante urdir e tecer".

Ele estava com ela num restaurante, conversavam, trocavam as primeiras impressões e ela falava e falava, mexendo com uma das mãos, o que o fazia lembrar uma bordadeira ou das tecedeiras do destino. Então ele a cortou e começou a contar uma coisa completamente diferente.

Só sendo uma virgem, e atualmente ela precisa ser bem jovem, para não chegar no primeiro encontro com uma estória treinada por ter sido repetida muitas vezes. Esta máscara, sob a qual nos protegemos ou nos escondemos, é um empecilho para o amor entre duas pessoas. Porém, o (a) insidioso espera todo tempo por quem interrompa sua interpretação sem sentido. Foi isto que ela sentiu quando ele cortou sua ladainha mistificadora. "Havia gratidão em seus olhos, bem como amor e admiração. Eu fizera a máquina parar".

Ah, como é bom sermos nós mesmos, sem disfarce! É tirar um peso de cima, é sentir a leveza de ser. Quando descobrimos que quem fala olhando em nossos olhos está interessada na pessoa que somos, no patinho feio que nos imaginamos e que pretendemos esconder sob falsas penas brancas, só nos resta amá-la.

Entretanto não se esqueça que "as mentiras estão embutidas na verdade e não têm nenhuma existência separada dela". É assim, o ser maravilhoso que conhecemos não é bem quem supomos ter conhecido.


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publicado por joseadal às 23:39
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