Terça-feira, 03 de Julho de 2012

Qual é a função do filósofo, daquele que pensa o que está se
passando no mundo? No livro O Mundo como Vontade e Representação, de Arthur
Shopenhauer, diz:

“Na minha opinião, a filosofia é sempre teórica; porquanto,
o que está na sua essência, qualquer que seja o objeto da sua investigação, é
manter-se exclusivamente no terreno da observação e da análise, e não no de
ditar preceitos”.

Esta parece ser a principal diferença entre religião e
filosofia. Aquela dita normas e cria dogmas para reformar o ser humano, essa
estuda o que nós humanos já aprendemos até aqui e qual deve ser o próximo passo
em nossa conduta. E Shopenhauer alfineta as religiões:

“Querer guiar a conduta e reformar os caracteres são
pretensões que já viveram o seu tempo; em nossos dias, educada pela
experiência, a filosofia põe à margem tais pretensões; pois que, quando se
trata do valor ou da nulidade da existência, da salvação ou da perdição, não
serão certamente as frias abstrações da filosofia as mais próprias a fazerem
lastro na balança”.

Mas, então, o que torna uma pessoa um cidadão de caráter e
outro um corrupto? O que se vê nas notícias é que nem o dinheiro nem a
instrução são garantias de um bom sujeito. Então, o filósofo diz:

“Aquilo que para isso concorre é a própria natureza do
homem, o demônio que o dirige sem se ter imposto, o qual, ao contrário, foi o
próprio homem que chamou sobre si, como diz Kant: ‘A virtude e o gênio são
coisas que não se ensinam’. Para os maus a noção é infrutífera, tanto quanto
para a Arte, e pode quando muito servir de instrumento. Seria tão insensato
querer que os nossos sistemas de moral fabricassem gente virtuosa, nobre,
santa, como pretender que os nossos tratados de estética criassem poetas,
escultores ou pintores”.

(do alto da serra da Bocaina a represa do Funil parece um rio largo e do outro lado do vale do Paraíba a Mantiqueira nós olha impávida)

- Zé, então para que vai servir você ler esse livro grosso desse jeito?

O mestre te responde: “A filosofia não pode fazer outra
coisa que não seja interpretar e explicar aquilo que é; ela deve dar à Razão o
conhecimento claro e exato da essência do mundo”. É só que eu quero.


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publicado por joseadal às 12:30
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