Sexta-feira, 06 de Julho de 2012

“A água leva a pedra

e por isso não está mais aqui aquele pedaço de rocha da última primavera”.

Versos do poema A Aula do Recreio, da atriz e poeta Elisa Lucinda:

“Não mais no mesmo rio impera aquele grande seixo meio sépia meio dourado meio negro

que julgávamos firme e capaz de sustentar nossos corpos, de dar apoio ao salto,

trampolim ao desejo”.

Estes versos me fazem lembrar o que li estudando geologia. O geólogo Ivo de Menezes Medina explica complicando:

“Para compreender melhor como se formou os terrenos onde se situa a Pedra da Gávea, reporta-se há mais ou menos 500 milhões de anos atrás, no final da era Neoproterozóica. Durante o Neoproterozóico (1.000 – 540 Ma.) a movimentação, colisão e colagem de placas tectônicas constituíram um supercontinente, o Gondwana. A zona de colisão ou zona orogênica entre as placas formaram uma cadeia de montanhas”.

 

Puxa, compreender um século já é tão difícil quanto mais meio bilhão de anos! Mas, então, o que hoje são belos relevos do Rio de Janeiro, era um planalto no meio de um supercontinente. O tempo correu e a velha fratura soldada se abriu separando o Brasil da África. Na língua técnica isto é descrito assim:

“Após um longo período de estabilidade tectônica no Paleozoico e início do Mesozoico, esses terrenos sofreram uma tectônica extensional. Como consequência desse processo dinâmico da crosta terrestre, esse supercontinente começou a fragmentar-se a aproximadamente 135-110 milhões de anos dando início à separação entre o Brasil e a África com a abertura do oceano Atlântico”.

Imagine partir um bolo, um pedaço para cada lado. O litoral do Rio de Janeiro foi um grande paredão de rocha e solo. Então esta muralha foi trabalhada até ficar bela como é.

“A combinação das falhas, das diferentes resistências das rochas e do poder erosivo das chuvas esculpiu o relevo formando cavidades e escarpas. A evolução natural do relevo está ligada a desmoronamentos e escorregamentos das encostas que são favorecidos pelas fraturas na rocha e pela ausência de vegetação, principalmente durante episódios de chuvas intensas. Assim, o clima combinado com a natureza e estrutura das rochas deixa sua marca, retocando o relevo e dando-lhes as feições atuais”.

Em poesia Lucinda diz assim: “Pois que a pedra foi levada pela água para outra parte da maleável estrada, provando que de fixo mesmo não há nada”.



publicado por joseadal às 20:19
mais sobre mim
Julho 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
13
14

16
17
20

22
26
27

30


pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

blogs SAPO