Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

Dei um rolé. Fui com a bike por bairros da cidade subindo e
descendo ladeiras, vendo o mar de morros de nossa região e, entre eles, ruas com
casas simples. É só andar um pouco que logo se vê sítios, pequenas matas e
pastos ainda bem verdes neste inverno.

Lembrei-me do amigo Reginaldo que está construindo sua casa
praticamente sozinho e fui visita-lo levando um vinho tinto, queijo e pão. A
conversa rolou, no princípio meio presa, mas com o calor do vinho logo se
tornou franca e divertida. Ele está praticamente vivendo na casa, agora, na
fase de acabamento. Fica tão focado no serviço que espera um choque quando tudo
estiver pronto. Então, falou-se do tédio, assunto que li esta semana em dois livros.

“Segredos não temos um para o outro. É verdade que nosso
hotel é simples e os dias iguais um ao outro. Oh, o tédio não nos larga, mas
parece ser um bom antídoto para o medo. O que nos distrai são as notícias que
nos chegam da Inglaterra. Ler sobre os jogos do campeonato, as corridas de cães
e artigos sobre a vida rural, nos poupam horas de tédio”.

Estou relendo, Rebeca, A Mulher Inesquecível, de Daphne de Maurier,

um dos poucos livros que me restou da biblioteca de meu pai. Ainda tem
a letra escorreita de “seu” Gumercindo e anotações de minha mãe Idalina. As
páginas estão amareladas e se esfarelando, é uma edição de 1940, mas ainda é
melhor lê-lo do que uma obra qualquer no meu tablete.

Também li sobre o tédio, um dia antes, numa obra de Artur Schopenhauer

“O que ocupa e mantém em atividade todos os viventes é o desejo de viver. Mas uma vez assegurada a vida,
já não sabem o que fazer dela, sem dúvida sobrevém logo o fastio, e o homem se
vê constrangido a recorrer a algum passatempo. Consideram como ganhas as horas
que conseguirem fazer passar. O tédio não é um mal pequenino, nem desprezível:
acaba por no desespero”.

Talvez, ou certamente, é para evitar o tédio que
existem 100 canais de TV despejando informações e diversão o tempo todo, e
buscamos sempre alguma coisa para fazer. O pensador lembra um resultado bom do
tédio: “Por sua causa é que sucede que seres que tão pouco se amam como os
homens, se procurem, todavia, com ansiedade: o tédio se torna portanto uma
fonte de sociabilidade”.


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publicado por joseadal às 00:24
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