Quarta-feira, 25 de Julho de 2012

Enquanto o mundo, a orbe que inclui a humanidade e todos os seus feitos neste planeta, continua suas atividades vertiginosas, alguns tentam pisar no freio e tratam de estudar uma maneira de se viver mais tranquila. Um desses é o professor da Universidade Rural do RJ, Renato Maluf. Ele ensina que o planeta não aguentará o modelo do agronegócio baseado em monoculturas nem seus enormes gastos com deslocamento de produtos a grandes distâncias.
Os estudiosos reavaliam o modelo antigo que é denominado agora de circuitos curtos alimentares. Um desse é Paulo Eduardo Moruzzi Marques, professor da USP: “O conceito designa toda forma de comercialização na qual há, no máximo, um intermediário entre o produtor e o consumidor. Tomando como quadro geral a multifuncionalidade da agricultura, a primeira hipótese deste trabalho é que circuitos curtos alimentares viabilizam a persistência do estabelecimento familiar pelo aumento da renda e pela dinamização dos laços sociais”.

(ciclistas em frente a uma pequena biblioteca em Serra Negra)

Quando pedalamos do alto de Itatiaia para Mauá, nos contrafortes da Mantiqueira, passamos por um lugarejo, Serra Negra. Ali, poucas famílias vivem do que produzem em pequenos sítios. Tanto plantam para uso da própria família como conseguem uma pequena sobra para vender. Mas não vale a pena levar 10kg de queijo até Itamonte ou Maringá. Então, há gerações, tropeiros reúnem a produção de várias famílias e levam em lombo de burros por mais de 20km por estradas de difícil acesso. É importante este esforço? (Gezuel dos Santos um tropeiro no século 21)

Moruzzi diz: “O contato quase direto entre produtores agrícolas (que ocupam o meio rural e zelam pela paisagem e outros bens ambientais não mercantis) e consumidores causa reconhecimento pelo trabalho de quem vive na roça e esses sentem a valorização dos serviços que prestam à sociedade em geral”. (o tropeiro Natanael Ramos com a caixa de carregar queijo minas fresquinho e o comerciante Chaves - é só sorriso)

 

Cássio Chaves, dona de um mercadinho em Maringá atesta isso: “Os clientes, na maioria turistas, chegam buscando produtos artesanais como queijo e mel. Conto para eles sobre os produtores, sitiantes em Serra Negra, e eles valorizam aqueles pequenos produtores que nem conhecem”. Não é uma aproximação espetacular e humana?

Sobre minha bike, às vezes sonhando acordado, penso em um mundo com computador, ônibus e trens movidos a energias alternativas, cada ser humano alimentado direito e lugares bucólicos como Serra Negra num vale entre as serras continuando a existir.

Em tempo: em setembro vamos pedalar no mesmo caminho que os tropeiros passam com os muares carregados de produtos da roça.

Deus, como o mundo é lindo!



publicado por joseadal às 22:41
Belíssimo relato da região de Serra Negra. Dá vontade de ir conhecer pessoalmente. Parabéns!
Ítalo de Paula a 25 de Julho de 2012 às 23:32

Grande Mestre José Adal, que belas palavras! Vou olhar com outros olhos da próxima vez que cruzar por um tropeiro.

Um abraço
Michel a 27 de Julho de 2012 às 04:02

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