Domingo, 26 de Agosto de 2012

O que vou transcrever agora é pensamento de uma mulher completamente virtuosa que viveu naqueles mesmos anos em que os portugueses desembarcaram em nosso litoral, imensa extensão de terra, e com muito esforço arrancavam alguma riqueza e plantavam fortificações para manter a posse da terra Brasilis.

“Não é pequena lástima e confusão que, por nossa culpa, não nos entendamos a nós mesmos, nem saibamos quem somos. Não seria grande ignorância, minhas filhas, que perguntassem a alguém quem era e não se conhecesse, nem soubesse quem foi seu pai, nem sua mãe, nem sua terra? Pois, se isto seria grande estupidez, sem comparação é maior a que há em nós quando não procuramos saber que coisa somos e só nos detemos nestes corpos; e assim, só a vulto sabemos que temos alma, porque o ouvimos e porque no-lo diz a fé”.

Esta é a preparação que fez Santa Tereza D’Avila ao iniciar a escrita de Castelo Interior. Nesta comparação singela da suprema ignorância, não se saber nada de si mesmo, ela arremata nos puxando a orelha: ‘grande estupidez, sem comparação, é quando não procuramos saber quem somos’.

Imbuído deste desejo aceitei o convide do grande amigo Reginaldo e fui a uma reunião pietista (por favor, nem de longe confunda com uma reunião de certo partido político); de outra vez explico o que é pietismo. As reflexões que doze pessoas fizeram em hora e meia, foram sobre humildade. Virtude que aprendi ser a base de todas as boas qualidades. A devota ensinou: “pois, enquanto estamos nesta terra, não há coisa que mais nos importe que a humildade”. (minha pequenez diante da cachoeira do Cici, em Quatis)

Esta palavra leva a raiz “húmus” que significa “terra”. É sobre este modo de encarar a vida, humildade, terra fértil, que vão se desenvolvendo todas outras qualidades. Um jovem, nessa reunião, disse algo que me ficou gravado: “A humildade esvazia a alma da gente e permite que a enchamos de boas atitudes. O orgulhoso, cheio de si, não tem espaço para desenvolver a fé, o amor, a bondade...”.

Paulo já havia usado a mesma definição para humildade: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”.

Tenho mais isso para martelar a minha cabeça e meu coração: Cuide também do interesse dos outros.


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publicado por joseadal às 13:03
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