Terça-feira, 04 de Setembro de 2012

A vontade, considerada puramente em si mesma, é inconsciente; é uma simples tendência, cega e irresistível, a qual encontramos tanto na natureza do reino inorgânico e do vegetal e nas suas leis, como também na parte vegetativa da vida humana”.

Assim, começa o estudo de Arthur Schopenhauer O Mundo como Vontade e Representação. A vontade é inconsciente e vegetativa em nós. Pensei nisso lendo a experiência de um homem, Martin Strel. Nascido na Eslovênia mudou-se para os EUA indo morar no Arizona. Então, uma vontade irresistível o levou a nadar cada vez maiores distâncias no perigoso rio Colorado. Seu prazer é dar incontáveis braçadas numa água limpa em um lugar sossegado. Olhando o estado em que alguns rios estão - muito sujos e poluídos - ele não conseguiu ficar insensível, uma vontade imperiosa o fez iniciar uma luta quixotesca para chamar atenção do mundo.

Unindo as duas vontades irrefreáveis - nadar longas distâncias e mostrar sua indignação com a falta de amizade de um povo com seu rio - ele planejou, conseguiu patrocínio e executou tremendas provas de resistência. Em 2000 ele voou para Alemanha e acompanhado por barcos caiu nas águas do rio Danúbio e nadou 2.860 km, vou repetir, nadou 2.860 km. Eu não soube (só hoje vi um programa no NetGeo sobre ele) nem você, mas milhões na Europa ouviram sua mensagem para cuidar bem do rio de sua cidade.

A vontade é uma força que para alguns parece loucura e muitos tentaram fazê-lo desistir. Mas em uma manhã de 2002, em seu próprio país adotivo, ele mergulhou nas águas do rio Mississipi e por 68 dias nadou 3.885 km. Em cada cidade que parava, ainda dentro da correnteza, dava entrevista e repisava seu amor pelas águas que nascem longe, em florestas e passam pelas cidades dos homens onde são tratadas como depósito de lixo.

Em 2003 nadou os 3.998 km do nosso rio Paraná, em 2004 os 4.003 km do rio Yangtze e em 2007, em 66 dias, nadou os 5.268 km do nosso caudaloso Amazonas. Piranhas o morderam mesmo por cima de sua roupa de neoprene, foi socorrido e medicado, mas decidiu continuar a prova, o ferimento infeccionou e deixou uma longa cicatriz nas costas.

  

O filósofo explica o que leva um homem a tais façanhas: “A vontade é a coisa em si, a substância, a essência do mundo. A vida é o mundo visível, o fenômeno, não sendo mais que o espelho da vontade. Segue-se daí que a vida acompanhará a vontade com a mesma inseparabilidade com que a sombra acompanha o corpo. Onde houver vontade, haverá também vida, mundo. Portanto, enquanto a vontade subsistir em nós, não devemos nos preocupar pela nossa existência, nem mesmo diante da morte”.

Será que conseguimos canalizar nossa vontade para façanhas que ajudem o mundo?



publicado por joseadal às 03:38
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