Quarta-feira, 05 de Setembro de 2012

Um jovem, esfuziante de alegria, deseja muito participar da vida dos adultos. Assim, é facilmente convencido a ajudar os homens em ações perigosas, como servir de ‘avião’ para traficantes. Colocam na mão do menino uma arma e lhe dão um missão cheia de perigos e ele passa a idolatrar à esses que já deixaram a inocência para trás e estão cheios de vícios de comportamento e carregados de conceitos tortos.

No livro Fantoches de Deus um padre conta sua iniciação na tortuosa vida dos adultos. “Durante a 2ª Guerra, na França invadida, juntei-me aos Maquis e tornei-me um homem da noite para o dia. Portava um rifle, uma pistola e um punhal. Éramos obrigados a viver nas montanhas e nos esgueirarmos para a cidade em busca de alimentos e informações. Se fossemos apanhados por uma patrulha alemã seríamos mortos ou despachados para campos de trabalhos forçados na Alemanha, o que equivalia a uma morte mais terrível. Porque era jovem e podia me deslocar rapidamente realizava missões de mensageiro descendo a cidade ao entardecer e andando a noite. O perigo era imenso já que as patrulhas alemães andavam pelas ruas vigiando o toque de recolher”.

Não é muito diferente da história de tantos jovens que se esgueiram pelas comunidades servindo ao tráfico e enfrentando o perigo de morte às mãos da polícia. Mas até aí é tudo aventura, uma brincadeira de soldado-ladrão muito real. Mas para quase todos chega o momento da iniciação, a passagem da vida de moleque para de homem responsável por suas ações. A do padre foi assim: “Minha rota aquela noite foi chegar perto de uma fazenda para pegar a lista de movimento das tropas alemãs que passavam na estrada. Uma mulher trouxe a informação escrita até uma cabana de pastor a um quilômetro da casa. Era uma hora depois do pôr-do-sol. Tinha um corte na perna e ela desinfetou com vinho e enfaixou com uma tira de pano da própria anágua. Depois, tomamos vinho, comemos pão com fatias de carne... e fizemos amor demoradamente. Lembro-me disso como a experiência mais maravilhosa da minha vida. Uma mulher madura e ardente e um rapaz assustado, uma hora de êxtase num mundo povoado por horrores. Prometi-lhe que depois de entregar a lista aos meus superiores voltaria para passarmos o resto da noite juntos. Quando voltei correndo, o peso das armas tornados mais leves que o vento, encontrei-a morta. Soldados alemãs invadiram a casa procurando provas de traição, estupraram-na e a mataram a baioneta”. [Sou fã da maneira de escreve de Morris West, com frases curtas e incisivas e um relato sem gorduras, másculo e forte]

Este momento é a iniciação que muitas culturas substituíram por um ritual doloroso. Aquela pessoa jovem nunca mais brincará como criança inocente. Por diante passa a ver a vida sob a ótica má de todas qualidades negativas. Bem, ele não praticou o crime, mas participou dele. Como se livrar desse peso esmagador? Só seguir a vida recalcando o caso? Há o perdão de Jesus que é purificador, mas o padre lembra que é preciso mais: “Foi nesse dia que decidi que tinha uma dívida a pagar. A Paixão de Cristo tornou-se profundamente real para mim. Mais tarde cheguei a conclusão de que o exercício do sacerdócio era a melhor forma de pagar a dívida”.

Jesus ensinou isto, dizendo (Mateus 5:25,26): “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil”. São mistérios da mente e da fé.



publicado por joseadal às 13:26
mais sobre mim
Setembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
12
14

16
17
20

23
24
25
28

30


pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

blogs SAPO