Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Meu genro Luciano deixou comigo um livro de 400 páginas, uma biografia do filósofo D’Alembert. Autor de Ensaio sobre os Homens de Letras, foi um defensor da ética como predicado que dignifica uma pessoa. Ensinava que um caráter admirável era aquele que defendia sua liberdade e dos outros, mantinha-se dentro da verdade e levava uma vida de pobreza; não devia almejar com seu saber a conquista de uma vida de confortos e riquezas.

- Falar é fácil, quero ver na hora da tentação!

Pois este livro que tenho em mãos, As Paixões Intelectuais, conta um fato em sua vida que serve de exemplo de integridade.

Jean le Rond d'Alembert (1717-1783) foi abandonado por sua mãe nos degraus de uma igreja de Paris e recolhido por um casal dono de uma vidraçaria. Seu pai verdadeiro quando o encontrou pagou seus estudos, o que ele aproveitou ao máximo. Formou-se em Matemática e depois em Física, mas tanto ensinava quanto fazia experiências. Demonstrou o teorema fundamental da álgebra, que afirma ter toda equação algébrica pelo menos uma raiz real ou imaginária. Também foi eleito membro da Academia de Ciências da França. Mas era tal seu talento que os ingleses também o elegeram para a Real Socidade. E tornou-se um pensador, um filósofo do comportamento ético.

Em 1767 o químico Voltaire escreve a D’Alembert: ‘É a opinião que governa o mundo, e cabe aos filósofos governar a opinião”. Difundia-se a ideia de que um povo progressita precisava de um rei filósofo. Para não serem atropelados pelos sábios que sustentavam, os monarcas europeus passaram a dar valor ao estudo, tanto para si mesmos como para os filhos. O livro conta (p 19): “Por mais que o soberano governe seu povo como bem entende, é de bom-tom entrar na modernidade definida pelos filósofos”. Foi assim que a imperatriz Catarina II, da Rússia , ordenou a três diferentes acessores que escrevessem convidando D’Alembert a ir morar em São Petersburgo servindo de perceptor para o filho dela. O filósofo, diz o livro, “invoca seus problemas de saúde, o apego aos amigos a a indiferença a honrarias como pretexto para não deixar Paris”. O embaixador russo na França o visita “dizendo-se incumbido de oferecer 100.000 libras por 6 anos como preceptor do príncipe, imunidades diplomáticas e um magnífico palacete”. Então, o que fez o filósofo? Voltaire comenta a decisão do amigo: “Ao dar às costas á glória, ás honrarias e ao dinheiro, o Senhor manteve-se fiel aos seus princípios. Todos os homens corretos deveríam apontá-lo como alguém que lhes ensina a viver”.

Então, que as notícias nos jornais e televisão de homens que vendem sua honra não enfraqueçam nossa decisão de ser correto. Bons exemplos sempre houveram. Quiça eu e você sejamos assim.



publicado por joseadal às 23:07
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