Sábado, 15 de Setembro de 2012

- Fecharam o colégio, Zé, onde meus filhos vão estudar?! Expulsaram os jesuítas do Brasil!

Sempre me comovi com esta atitude política do governo de Portugal. O Brasil possuía tão poucas escolas, como é que tomaram esta decisão expulsando “124 jesuítas da Bahia, 53 de Pernambuco, 199 do Rio de Janeiro e 133 do Pará. Pouca coisa restou de prática educativa no Brasil. Continuaram a funcionar o Seminário episcopal, no Pará, e os Seminários de São José e São Pedro, que não se encontravam sob a jurisdição jesuítica; a Escola de Artes e Edificações Militares, na Bahia; e a Escola de Artilharia, no Rio de Janeiro”. Um país de dimensões continentais com quase nenhum colégio, dá para entender isso?

A ordem foi emitida pelo Marques de Pombal, primeiro ministro (1750-1777). Qual foi o motivo: “As escolas da Companhia de Jesus tinham por objetivo servir aos interesses da fé e Pombal queria organizar a escola para servir aos interesses do Estado”. Estas citações foram tiradas do site http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb03.htm, que conclui: “O resultado da decisão de Pombal foi que, no princípio do século XIX (anos 1800...), a educação brasileira estava reduzida a praticamente nada”.

Voltei a pensar nos jesuítas ao ler a citação desta carta do filósofo D’Alembert a Voltaire: “A França acaba de expulsar de seu território os grandes apóstolos da intolerância, os pretensos companheiros de Jesus. Por desgraça, não é a razão e sim, mais uma vez a intolerância que os prescreve. Não é porque são turbulentos e fanáticos que nossos parlamentares os ‘mandam andar’, mas porque defendem a ‘graça versátil’ e os jansenistas a ‘graça eficaz’. Mas não há o que temer; essa canalha que ficou também não haverá de prosperar”. Citação do livrão que estou, As Paixões Intelectuais.

Intolerância, este foi o aparente foco da expulsão dos jesuítas primeiro aqui e em Portugal (1759) e depois na França (1763). Mas como diz o filósofo, substituíram uma intolerância por outra.

Para um livre pensador ser coibido por convenções religiosas é o cúmulo. É verdade que quando vemos e escutamos um jovem passar no seu carro com os alto-falantes berrando uma música esculachada dá vontade de tirar esta liberdade dele, mas se começasse com isto chegaríamos à cassação de nossa livre maneira de pensar, também.


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publicado por joseadal às 13:43
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