Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

Há muitas semelhanças entre pescadores e ciclistas, me dei conta disto lendo o livro O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway.

Quem vai com seus caniços a um rio, lança as linhas e espera tranquilo é bem semelhante ao ciclista que vai de casa ao trabalho, as compras ou em busca de um serviço. Os que saem ao mar pescando de barco são idênticos aos que plenamente uniformizados pedalam com bikes bem equipadas.

Mas o livro fala de situações extremas. Um velho pescador rema barra afora, consegue pescar um marlim enorme e enfrenta uma luta espetacular.

“Viu primeiro uma sombra escura que passou por debaixo do barco.  - Não é possível que tenha esse tamanho todo! Mas era de fato gigantesco. Sentia agora muita tontura e estava a ponto de perder os sentidos, mas conseguiu aguentar o peixe com toda a força que ainda lhe restava. - Puxem, mãos! Aguentem, pernas! Faça-me o favor de conservar-se lúcida, cabeça! Tentou puxa-lo mais uma vez, embora tivesse as mãos ensanguentadas e só pudesse ver bem por instantes. Esqueceu a dor e reuniu as poucas forças que lhe restavam, apelando para seu orgulho, que já o deixara havia horas. Pôs toda sua alma no puxão e o peixe veio para junto do barco”.

 

Um velho ciclista também pode se defrontar com desafios tremendos: serras altas, uma trilha muito comprida e um sol tórrido. Ele sente todos os músculos queimando numa subida violenta, a sede que deixa a boca sem saliva e provoca câimbras dolorosas e o ar que falta. Por que passar por isto tudo? “O velho pescador, pensou: - Eu nunca tinha sido derrotado e não sabia como era fácil me vencer. Fui longe demais.”  



publicado por joseadal às 00:49
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