Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012

Quando só se vive correndo sem parar para pensar, as dúvidas ficam ativas e martelam nossas cabeças e corações. Assim, em um mundo tão falto de justiça, periga a fé e amor. Por que agir com equidade e bondade se não vão ‘livrar nossa cara’? Um homem jovem, Artur Schopenhauer,aos 27 anos refletiu muito sobre isso e escreveu um livro maravilhoso.

No capítulo A Justiça Eterna ele diz:   

“Reina sobre o mundo uma justiça eterna. Se, tomados em massa, os mortais não fossem tão abjetos, a sorte em geral não lhes seria tão triste. Neste sentido podemos dizer: ‘O próprio mundo é a sentença do mundo’. Se se pusessem numa balança, dum lado todas as misérias do mundo e do outro todas as culpas dos humanos, com certeza o equilíbrio seria perfeito”.

O mundo é justo, mas individualmente cada qual sofre os efeitos da sorte e do acaso. Quem não medita, pensa: ora, quero saber da minha vida os outros que se cuidem. O filósofo, ensina:

“Em lugar da coisa em si não vê mais que a individuação. Com tal modo de conhecimento, tão limitado, não apreende a essência das coisas e vê somente os fenômenos que aparecem isolados. Parecem-lhe, então, que prazer e dor são coisas diferentes; que tal pessoa é somente um assassino e outra é apenas a vítima; a perversidade é para ele uma coisa e a dor é outra. Vê que uns vivem alegremente na abundância e nos prazeres, enquanto outros morrem de morte cruel, de fome e de frio. Então pergunta: Onde está, portanto, a Justiça? E, sob o impulso violento dessa dúvida, lança-se aos prazeres e às voluptuosidades da vida”.

Ele diz que ninguém só sofre ou vive alegre, os momentos felizes e as desgraças acontecem a todos. É bom não se julgar ninguém ou nada por um instante no tempo. Nem pensar que é o ‘umbigo do mundo’. Schopenhauer diz: “A sua imperceptível pessoa, o seu presente, que não é senão um ponto, o seu bem-estar momentâneo, eis para ele a realidade”.

Não devia ser assim, mas, enfim, acaba sendo parte da justiça eterna.



publicado por joseadal às 00:58
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