Sexta-feira, 05 de Outubro de 2012

Para você que se esforça para ser um homem bom e justo...

- Um momento Zé, você está plagiando Rauzito. Você não podia escrever alguma coisa mais original, não? Caetano já cantou isso, é só ver o vídeo http://letras.mus.br/caetano-veloso/325306/

Como dizia: a notícia de um crime cruel, a morte de uma vítima indefesa que sofreu torturas em seus últimos instantes nesta vida, nos causa profundo mal estar. Como um humano, alguém a “imagem de Deus”, pode fazer isso? Artur Schopenhauer pensou isto e disse em O Mundo como Vontade e Representação:

"Quando um homem, apenas se lhe ofereça a ocasião e nenhuma força extrema o impeça, está sempre disposto a agir injustamente, nós o chamamos mau. Isto significa, segundo a nossa definição de injustiça, que esse homem não se limita a firmar o seu querer-viver, mas estende essa afirmação até negá-la nos outros indivíduos. Demonstra-o destruíndo-lhes a existência quando se tornam obstáculo às suas aspirações. Tudo isto resulta de extremo. Desde o começo ressaltam aqui duas coisas: Em primeiro lugar, que a vivacidade do querer-viver é excessiva em tal indivíduo e vai além da afirmação do seu próprio corpo; em segundo lugar, que a sua consciência, submetida ao princípio de razão e embebida do princípio de individuação, se atém obstinadamente apegada à este último. Estabelece uma profunda separação entre a sua pessoa e todas as outras; ou antes, o próprio ser deles será estranho a seus olhos e separado deles por um largo abismo; porque, a bem dizer, os considerará como simples fantasmas que nada têm de real. Estes dois elementos formam a base fundamental dum caráter mau”.

(para amenizar o texto uma amostra da primavera e suas bondades com a gente: frutas - pitangas maduras - e flores - orquídeas) 

Agora vem uma visão do malfeitor que você e eu não tinhamos pensado. “Tal veemência excessiva do querer é já de per si e diretamente, uma fonte constante de dor. Primeiramente porque qualquer querer, como tal, nasce da necessidade, portanto, da dor. Depois, porque a concatenação causal das coisas faz com que, na maior parte das vezes, os desejos fiquem insatisfeitos e a vontade seja mais frequentemente contrariada do que satisfeita, sucedendo que um querer veemente e múltiplo acarreta constantemente um sofrimento múltiplo e veemente ao mau”.

- Tadinho do marginal, seu Zé! Então ele sofre muito por não ter tudo o que quer?!

É por aí, segundo Schopenhauer que um humano se torna uma fera louca: “Com o hábito, este sentimento de tortura interna, diretamente próprio do mau, provoca também um prazer gratuito; tal prazer é o que constitui a malvadez propriamente dita, a qual pode chegar até à crueldade. Então, a dor alheia não é mais o meio de chegar aos objetivos da própria vontade, mas é finalidade por si mesma”.

Tem que se trancafiar um bicho assim que nasceu no nosso meio. Ele não foi feito por mim ou por você (a sociedade), ele pelo hábito de sofrer, adaptou, pior, aprendeu a gostar de sofrer e na sua cabeça louca, quando tortura um irmão,ele se realiza e pensa (sente) que a vítima pode até estar gostando daquilo.

A vida na matéria não é mole, não.    



publicado por joseadal às 13:08
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