Domingo, 07 de Outubro de 2012

“O ministro das finanças anunciava: nem bancarrota, nem aumento de impostos, nem novos empréstimos. ‘Para salvar a nação existe apenas um meio seguro. É reduzir as despesas abaixo da receita, o suficiente para economizar anualmente cerca de vinte milhões’”.

- Foi aonde, Zé? Na Grécia, na Espanha ou na Itália?

Foi na França, mas em 1774. O rei é Luís XVI e este ministro que tenta colocar a grande nação nos eixos é Anne Robert Jacques Turgot. O livro As Paixões Intelectuais, de Elisabeth Badinter, continua: “Essa política necessariamente dolorosa, fez descontentes implacáveis e implicava o apoio real e a firmeza de caráter do rei. Convencido de que todos os males da sociedade francesa decorrem da repartição injusta de renda, mas também de um regulamentarismo que sufoca o comércio, a agricultura e a indústria ele pensa em vencê-la com uma política liberal”.

Essa maneira de pensar de Turgot não te lembra de um outro governante, no Brasil, que assumiu a presidência numa hora em que nossas finanças estavam a ponto de falir? Talvez, você tenha memória curta, mas para quem estuda história os neurônios não podem desfazer as conexões. Lembro-me bem de ouvir gente dizendo que o governo teria que vender terras do Brasil para pagar o que devia.

As funções deste superministro eram diversas, como diz o livro: “Ele deve cuidar da loteria, da liberdade de vender carne na quaresma (ainda se misturava leis com dogmas religiosos, o que aumentava a bagunça), da polícia e da vagabundagem. Confessa que esse trabalho o ‘extenua de tal maneira que eu, que sempre me encaminhava com alegria para meu gabinete, preciso agora fazer força para dirigir-me a ele e até para sair da cama’”.

Voltaire, no exílio, pergunta em carta a um amigo: “Será a França tão feliz assim? Será que encontramos o reino da razão e da virtude?”

- E ele consertou a França, Zé?

Quem conhece um pouco da história sabe que o rei não aguentou os reclames dos prejudicados, demitiu seu ministro e deu no que deu. Turgot disse (sempre segundo este livro): “É grande meu pesar de ver dissipar-se um belo sonho, o de modernizar a França e livrá-la de seus velhos demônios”.

O presidente daqui do Brasil, venceu os ataques da oposição e a falta de ética de seus colaboradores e, redistribuindo a renda, fez o Brasil aguentar uma crise mundial que está derrubando muitas nações mais poderosas.

(nesta foto em Petrópolis, junto a casa-museu de Santos Dumont, Zé mostra que mesmo com uma aposentadoria mixuruca e com quase 70 anos, qualquer homem pode conquistar sua liberdade de ir e vir e ver este grande mundo que Deus nos deu)

- Ei Zé, menos aí! Você sabe muito da história antiga, mas da moderna tu está por fora!    



publicado por joseadal às 13:42
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