Terça-feira, 16 de Outubro de 2012

Agora a pouco, à mesa do café, aprendi uma coisa nova que modificou um juízo que fazia. Meu café é demorado, pois como não janto acordo com uma fome de leão. Mastigando devagar dá para ler, juntando dois prazeres sem um anular o outro. Lia Os Acontecimentos Finais, de Dom Cipriano Chagas, quando cheguei neste trecho falando do insistente tempo:

“A nossa ação em determinado momento do tempo tem o caráter de ser única e não repetível. Um fato não pode ser apagado da História. O fluxo do tempo vai numa só direção e não volta. Podemos agir para reparar uma ação, mas não podemos apagar aquilo que foi feito. O fato que inserimos na História não pode ser alterado”.

- Ora, Zé, mesmo não sendo de ler muito isto eu já sabia faz tempo.

Então, ele lembra que há outro tipo de tempo: “Deus está numa realidade eterna, no seu agora eterno. A ação de Deus é a partir do futuro, porque para Deus o futuro é presente, é o eterno agora. Raciocinando em termos humanos não vamos entender, mas podemos entender usando nossa natureza divina; é preciso não esquecer isso”.

(para alegrar os olhos, ainda as plantas da serra do Caparaó)

Aqui está a nova compreensão. Nesta vida moderna, em que não se luta mais pela sobrevivência, mas pela opulência, é fácil esquecer e difícil entender o que se segue.

“Paulo escreveu aos cristãos, em Éfeso (2:4-6): ‘Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por Graça que fostes salvos – e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus com Cristo Jesus’. Devemos viver nesse nível de tempo, o eterno, e não mais apenas no nível humano”.

Sempre julguei – e quem sou eu pra julgar?! – a afirmação de um evangélico: sou salvo, como uma pretensão desafiadora, afinal ele ainda está longe da Vitória. Mas note o tempo que Paulo usou: “quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados”. Ainda estamos numa vida de vaidades em nosso tempo humano, mas pensando como um ser espiritual essa situação já ficou no passado. E nessa frase: “ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus com Cristo Jesus”. Para eu e você, na matéria, isto acontecerá no futuro, mas para nosso lado celestial já é presente.

É um mistério, mas para o homem do século 21, cercado de tantas coisas misteriosas - como um celular que é um telefone que tira foto e manda para alguém lá longe - não deve ser difícil viver no futuro.



publicado por joseadal às 12:18
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