Sábado, 10 de Novembro de 2012

Leia com cuidado para não dar um nó em sua ideia.

“O nada não é compreendido como nada, senão na sua relação com alguma coisa. Ele supõe sempre a existência de tal relação e, portanto também a existência de alguma coisa”.

Minha neta, Lívia, disse-me desafiadora: Deus não existe!

Agora releia o que disse o filósofo Artur Schopenhauer: “O nada supõe a existência de alguma coisa”. O filósofo Emanuel Kant designava a oração da menina como um nihil privatium. O que minha neta quis dizer, meio como para declarar que não gosta do jeito que o avô dela pensa e faz, é que ela acredita que há algo, o existe, mas não que haja Deus.

Ela podia ter blasfemado pior [Deus deve bem sorrir da desfaçatez dessa garota abusada que ainda vai ter muito a viver e precisar tanto dEle], dizendo: Deus é nada. Uma afirmação dessa Kant chamava de nihil negativum, “É uma simples combinação de palavras, um exemplo de algo impossível de pensar-se”. Pois, afinal, me levaria a perguntar a ela: E o que o Nada, que você diz que Deus é?

Mas este capítulo final do livro O Mundo como Representação e Vontade, lembra que estamos presos ao mundo de matéria: “Este mundo, esta vontade somos nós mesmos; aquilo que é universalmente admitido como positivo, aquilo que se diz existente em realidade é precisamente o mundo da representação e o espelho da vontade”.

Hoje, é universalmente admitido que temos de viver intensamente. A velha impossibilidade de "assobiar e chupar cana ao mesmo tempo" foi desmentida por homens e mulheres que fazem cada vez mais coisas, quatro ou seis, concomitantemente. A mente não aguenta, nossa pisque não consegue acompanhar tudo. Alguma coisa vai ficar mal feita, ou uma coisa muito preciosa pode ser esquecida fatalmente.

O filósofo nos ensina este caminho precioso que pode não nos dar o mundo todo ou nos fazer um conquistador tremendo e tamb ém um perdedor da coisa mais importante, da vida, nossa ou de um ente querido: “Todavia, desviemos o olhar por um momento do nosso horizonte em demasia limitado; levantemo-lo até aqueles homens que superaram o mundo, cuja vontade, atingida a perfeita consciência de si, renunciou-se livremente a si mesma; então, em lugar desse tumulto de aspirações sem finalidade, em lugar dessas passagens continuas da alegria à dor, em lugar dessas esperanças sempre insatisfeitas e sempre renascentes que fazem da vida humana um sonho inalcansável, veremos essa paz que é mais preciosa que todos os tesouros da razão, essa calma absoluta do espírito, essa quietude profunda, essa segurança, essa serenidade imperturbável”.  

Tiremos tempo para ler a vida e o exemplo dos santos. 



publicado por joseadal às 00:53
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