Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

“Jó, embora duvidando que alguém possa ter razão num confronto com Deus, não desiste da ideia e interpela o Criador no terreno do Direito e da moral”.

Esta é uma interpretação da história do patriarca Jó, da Bíblia, feita pelo psicanalista Carl Jung. Que diz mais: “Reconhecendo que Deus não está preocupado com julgamento moral ou ético feito pelo homem, Jó não se deixa abater e enfrenta a unidade divina porque tem certeza de que encontrará no Pai superior um advogado, que o defenderá contra o próprio Deus, tão certa é para ele a existência do bem e do mal dentro de Javé”.

Toda conversa de Jó com o Ser Supremo é uma comunicação mística. Sobre isto diz o livro Iniciação ao Misticismo Cristão: “O misticismo é um fenômeno presente em todas as grandes religiões. Mergulhar nessa dimensão, na qual residem forças sobre-humanas, é uma experiência só para alguns que se acreditam predestinados. A vida de São Paulo ilustra essa via mística de iluminação gradual que ele testemunha com o rigor dos seus ensinamentos morais. Sua união com Cristo [iniciada com a visão no caminho de Damasco] criou uma intensa unidade de fé e de amor, mesmo que a integridade da natureza humana [de Paulo] e da natureza divina [de Jesus cristo] permanececem inviolada”.

(em Santa Rita de Jacutinga, onde o tempo parece que parou, essa velha ama de leite parece sair dos livros de Lima Barreto

Nessa vida moderna e mecanicista são cada vez menores as chances desta comunhão entre um homem e seu Deus. Ela é tão forte como deveria ser um casamento, uma união em que há uma penetração, no caso, do divino no humano.

Uma religião organizada, com uma hierarquia forte, não aceita com facilidade um místico, aquele que fala diretamente com o Pai: “A leitura serena dos escritos deixados por eles mostra que a interpretação do texto bíblico é, em sua visão, mais poética e metafísica. Aliás, a origem da perseguição movida a eles na época negra da intolerância era a acusação de que o místico seria um desvirtuador da Palavra Divina a qual davam uma interpretação própria, como se dela fossem os únicos autênticos portadores”.

Quando se lê Castelo Interior, de Santa Tereza D’Ávila, vê-se uma tão grande alegria que a união mística com Deus dá a uma criatura, que chega a nos amedrontar.



publicado por joseadal às 11:56
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