Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

Numa floresta da Suécia um médico descansava de três anos de intenso trabalho em Paris que sobrevivia a uma peste após outra. Na casa de um guarda florestal e longe do aglomerado humano ele vai passar a primeira noite, e sonha. Está no Livro de San Michele: “Dei-lhes as boas-noites e subi ao meu quarto por cima do estábulo das vacas. Diante da janela erguia-se, silenciosa e escura, a floresta. Coloquei a vela e meu relógio em cima da mesinha e estendi-me sobre a pele de carneiro, caindo de sono e de fadiga depois da minha longa caminhada. Escutei o ruminar das vacas. Ouvi o pio de uma coruja distante. Daí, ouvi mexer na mesinha, a luz da vela bruxuleava preste a extinguir-se. Pareceu-me ver um homenzinho do tamanho da palma de minha mão puxando com cautela a corrente de meu relógio, inclinando de lado a cabeça grisalha para escutar o tique-taque. De repente deu por mim, pulou da mesa e pôs-se a correr.

- Não tenhas medo. Não fujas que eu te mostro o que há nessa caixinha de ouro.

Deteve-se olhando-me com seus olhinhos brandos.

- O que tens aí, é algum bicho? Escuto o pulsar do seu coração.

- O que tu ouves é o latejar do coração do Tempo.

- O que é o Tempo?

- Ninguém te poderá dizer, só sei que ele não para nunca de sussurrar.

- E compreendes o que ele diz?

- Ai de mim! Diz-me a cada instante do dia e da noite que envelheço e ei de morrer.

 Saiu correndo batendo com os tamanquinhos no chão. Então parou e voltando-se rindo, disse: A morte, ora essa, é a coisa mais absurda que ouvi! Que cegos idiotas são os homens!”

O gnomo deve ter razão, como somos idiotas quando dizemos: não tenho tempo.    


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publicado por joseadal às 00:58
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