Domingo, 12 de Maio de 2013

Bem antes de se formar uma religião, o ser humano buscava entender o mundo em que vivia percebendo que havia muito mais elementos do que ele via. Tendo diante de si o mistério maravilhoso da maternidade, eles concluíram que tudo o que os cercava tinha sido concebido por uma grandiosa mãe. Chamou-a de Done, a Mãe Terra.

Com as transliterações acontecidas por milhares de ano chegou aos gregos com o nome de Deméter (Terra Mãe). O livro Mitologia Grega, conta (p. 290): “Deusa maternal da Terra, sua personalidade é simultaneamente religiosa e mítica. Divindade da terra cultivada é essencialmente a produtora do trigo, tendo ensinado aos homens a arte de semeá-lo, colhê-lo e fabricar o pão”.

Por ser a responsável pela existência de algo, mais especialmente de uma vida, ela convive com uma emoção fortíssima, qual seja, proteger sua cria de tudo que possa fazer-lhe mal. Na novela Salve Jorge a mãe Lucimar passa por um grande sofrimento quando sua filha Morena é raptada, e milhões de pessoas acompanham todos os dias o desenrolar deste sofrimento e de sua alegria absoluta quando a filha reaparece. Mas este drama já fora percebido pela humanidade em uma encenação repetida por milhares de anos.

Pense só: um homem e uma mulher viam as sementes que caiam de uma vasta árvore ficarem encobertas pela terra e ressurgirem num broto de um verde espetacular. Que mistério maravilhoso era esse? Criou-se então o mito de Deméter e Perséfone (p. 285): “Hesíodo, em Teogonia, faz de Zeus esposo de Deméter. A deusa se uniu com ele sobre um terreno lavrado e ela concebeu Perséfone”. A ligação entre a mãe e a filha era muito intensa, mas para que o drama da vida pudesse continuar elas não poderiam continuar naquela existencia feliz. Era bonito a vagem pesada de sementes presa ao galho da árvore, mas os nossos antepassados entenderam que a semente precisava cair, se desligar da árvore para produzir novas plantas.

O mito conta assim: Plutão, irmão de Zeus, ganhou por sorteio o domínio do subsolo. Ele, então, se apaixona pela sobrinha e quer casar com ela e leva-la para seu reino debaixo do chão. A mãe diz: nem pensar! O livro conta (p. 290): “Os sofrimentos da deusa, então, começam, quando sua filha, com o consentimento do pai, foi raptada por Plutão. Desde então começou para a mãe a dolorosa tarefa de procurar sua filha, levando-a a percorrer o mundo inteiro. Mas simplesmente a filha desaparecera. Durante muitos dias sem comer, sem beber, sem se banhar, Deméter errou pelo mundo a procura da filha querida. Sem desanimar foi ao Olimpo e implorou que lhe devolvessem a filha e finalmente abdicou de suas funções divinas de cuidar da terra cultivada”. (p. 292) “Como a ordem do mundo estivesse em perigo, Zeus pediu a seu irmão que devolvesse Perséfone. O rei do mundo subterrâneo curvou-se a vontade soberana do irmão, mas habilmente fez que a esposa comesse uma semente de romã. A moça não conseguia mais se desligar do marido, mas chegaram ao consenso de que passaria quatro meses do ano com sua mãe. Assim ressurgiu do chão”. Recomeçava a vida.

No Hino Homérico a Deméter, uma estrofe diz assim:

“Feliz aquele que possui, entre os homens da Terra

A visão destes mistérios. Pois aquele que não foi iniciado,

Aquele que não participou dos santos ritos, não terão,

Após a morte, a mesma felicidade do que conhece”.   

Como Deméter, todos as mães sofrem e se preocupam com seus filhos. Parabéns, mamães.



publicado por joseadal às 15:40
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