Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Em meio à leitura de textos filosóficos e religiosos e ensaios um romance vem bem a calhar. É um gênero literário leve e que distrai a mente. Entretanto, um bom romancista em certos momentos, talvez cansado de ser um contador de história, decide filosofar. Lendo A Romana, de Alberto Morávia, encontrei um trecho assim (p.173) quando a personagem Adriana, mulher de vinte e poucos anos, conta:

“Nas horas de solidão em meu quarto, chegava sempre um momento de intensa perturbação, no qual parecia ver de repente toda a minha vida. As coisas que fazia perdiam a consistência, tornavam-se incompreensíveis e me enchiam de uma profunda perplexidade. Um estalar de um móvel me trazia de volta a realidade e via todos meus atos como absurdos e fortuitos. Então percebia que minha angústia, mais profundamente, referia-se ao simples ato de viver, que não era nem ruim nem bom, mas sempre doloroso e insensato. Arrepiava-me de medo e estremecia sentindo todos os cabelos vibrarem na raiz. Mas não me iludia com ser a única a ter sentimentos tão desesperados. Qualquer um podia sentir, vez por outra, essa angústia por ver sua vida reduzida a um absurdo indizível. Mas esse conhecimento não produzia qualquer efeito renovador. Em seguida saímos de casa representando com sinceridade nosso estúpido papel insincero”.

Hoje, conversei com uma terapeuta que aplica massagem Reike em seus clientes e ela me contou que fora contadora, mas cansada dum trabalho que não lhe satisfazia a alma sentiu um “chamado”, fez cursos e mudou completamente de profissão e vida. Tão diferente da Adriana do livro, desiludida de sua vida, mas que disse que “esse conhecimento não produzia qualquer efeito renovador”, a nova amiga Sirlei deixou para trás a angústia.

O escritor termina o capítulo falando pela boca de sua personagem: “Esse pensamento confirma minha convicção de que todos os homens são dignos de compaixão, nem que seja pelo simples fato de viverem”.  



publicado por joseadal às 22:31
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