Quinta-feira, 06 de Junho de 2013

Começa uma nova série de TV que promete impactar, é de terror. Seu escritor, produtor e diretor é o ator Eli Roth que disse numa entrevista: “Nunca trabalhei com televisão antes porque todas as minhas ideias eram violentas demais e eu sempre ouvi que elas jamais poderiam ser exibidas. É sérir tem um gênero de terror batizado de torture porn (em que a tortura é mostrada de maneira explícita, quase como uma tara). Mas como hoje vivemos uma fase muito animadora na TV, sinto que é possível forçar os limites”.

Um homem culto e inteligente deve ter usado as palavras certas, mas dizer que agora dá para mostrar na TV cenas de torturas explícitas porque “vivemos uma fase muito animadora” me parece bizarro. Cotejei isto com o que estou lendo no ensaio Hermenêutica e Desconstrução, de Miguel Baptista Pereira que era professor de Antropologia Filosófica, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: “Expulso da verdade do Ser, privado da terra-natal e no esquecimento do Ser, o homem circula por toda a parte como animal rationale trocando o ‘mais’ que ele é, enquanto originário do Ser, pelo ‘menos’ em que se torna, quando se concebe a partir da subjetividade. A diminuição, que parece sugerir a diferença entre ‘dono dos seres’ e ‘pastor do Ser’, converte-se em lucro: "Ele (o homem) ganha a pobreza essencial do pastor, cuja dignidade consiste em ser chamado pelo Ser para guardar Sua verdade".

Trocando em miúdos: originamo-nos do Ser (Deus), mas quem era ‘mais’ se tornou ‘menos’, deixou de ser um legítimo ‘donos dos outros seres’, mas ainda dá para assumir o papel de ‘pastor do Ser’, um guardião da Verdade.

Mas nós quem, cara pálida? O cara que está pronto para ver filmes de terror com torturas cruas e não consegue se perguntar: Por que estou vendo isso?



publicado por joseadal às 02:57
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