Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

Alguns bons escritores dizem que por vezes um personagem toma a história em suas mãos e começa a falar e fazer coisas que o autor não havia imaginado. Isto me lembra que o psicanalista Carl Jung ensinava que no inconsciente de todas as pessoas existem personalidades (complexos) completamente formadas e com históricos de vida bem diferentes uns dos outros.

No livro A Romana, o personagem Giacomo desenvolve um raciocínio que talvez lhe pareça estranho (p.330-332):

“- Tem momentos que não entendo nada. E não são só palavras que me fazem este efeito... pessoas também. Você mesma, ao meu lado, acha que a estou vendo, mas não a vejo porque não a entendo – deu-me um tal apertão que não pude evitar um grito de dor – Deve ser justamente esse tipo de incompreensão que cria a crueldade em tanta gente... tenta-se reencontrar o contato com a realidade através da dor alheia.

- Quando você escreve, também não acredita no que diz?

- Faço de conta que acredito.

- Mas é impossível?

- Como impossível? Quase todos fazem assim, a não ser para comer, beber, dormir e fazer amor. Quase todos fazem as coisas como se acreditassem, você ainda não percebeu? Ou você não sabe que este é o mundo do “como se fosse”? Desde o presidente até o mendigo, todos neste mundo se comportam “como se fossem”. Tudo é fantasia.

(pode acreditar, passamos de bicicleta nesses cafundós, depois de Santa Isabel do Rio Preto, e foi uma delícia estar neste descampado) 

Conseguimos dar fé em boa parte do que dizemos acreditar?



publicado por joseadal às 00:51
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