Segunda-feira, 08 de Julho de 2013

Você sabe bem o que é, pelo menos age como se soubesse. Como diria a mãe da roqueira na música de Rita Lee, “esse tal de rock and roll”. Sim você tá careca de saber.

– Zé, vê-se bem como tua ampla calvície te incomoda e aparece no teu texto.

Estou falando de niilismo .

- Claro que eu sei o que é, mas diz aí qual é tua opinião sobre niilismo.

Estava lendo agora mesmo, pra começar bem o dia, em Hermenêutica e Desconstrução (p.29): “É que o Deus da Religião foi morto pela Metafísica a que se havia aliado. Por isso, o niilismo é a degradação dos antigos valores, já incapazes de vivificarem o homem e de transformarem o mundo e a experiência humana emancipa-se destes quadros formais, que se não adequam às realidades do tempo”.

Está aí, neste estudo feito por Heidegger: “o niilismo é a degradação dos antigos valores”. É a "experiência humana de emancipar-se”, de não precisar dar mais obediência a ninguém. Isto pode se dar, também, numa mera rebeldia de um filho para com seus pais. Belchior traduziu isso tão bem em Como Nossos Pais. Quem está impregnado do niilismo, da desconstrução de tudo, costuma falar assim, afrontosamente:

"Você pode até dizer

 Que eu tô por fora

 Ou então

 Que eu tô inventando...

Mas é você

 Que ama o passado

 E que não vê

 É você

 Que ama o passado

 E que não vê

 Que o novo sempre vem...”

O niilismo é uma descoberta tão profunda que revolta e faz o homem ou o jovem ficar até meio paranóico.

“Por isso cuidado meu bem

 Há perigo na esquina

 Eles venceram e o sinal

 Está fechado prá nós

 Que somos jovens...”

E o niilismo pode chegar a este ponto tão ingrato, in-gra-to, INGRATO.

“A morte de Deus é a queda de uma ilusão do homem, semelhante ao processo sideral segundo o qual a irradiação aparente de um astro extinto há milhares de anos brilha ainda. Apesar deste luzir não passar de pura aparência. E esta imagem metafísica invadiu o discurso teológico do Cristianismo e a verdade dogmática já não é a interpretação de uma experiência comunitária mas uma representação anquilosada situada no céu translúcido das ideias, que é, simultaneamente, uma consequência e uma forma de niilismo”.

(estava fazendo uns 9° quando passamos pedalando aqui e, igual a um niilista, vi só a teia de aranha cheia de gotinhas do sereno)

Ver tudo como estando anquilosado, velho de dar dó, é terrível porque leva a isso: “renegando os valores metafísicos, redirecciona a sua força vital para a destruição da moral. No entanto, após essa destruição, tudo cai no vazio”.

Está pronto para cair no vazio? Ou vai repetir tudo, como cantava Elis Regina:

“Minha dor é perceber

Que apesar de termos

 Feito tudo o que fizemos

 Ainda somos os mesmos

 E vivemos

 Ainda somos os mesmos

 E vivemos

 Como os nossos pais...”

E aí restará o arrependimento, ar-re-pen-di-men-to, ARREPENDIMENTO, que dói muito, ainda mais se com quem a gente foi ingrato já morreu e não se pode ajoelhar diante dele e dizer chorando: Me perdoa, eu não sabia o que fazia.



publicado por joseadal às 12:43
mais sobre mim
Julho 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

14
15
16
18
19
20

22
23
26
27

28
29


pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

blogs SAPO