Terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Durante os anos da ditatura militar - você que não viveu aquela época não faz ideia - havia uma repressão encoberta que deixava todo mundo em suspense. Quem trabalhava numa fábrica ou em um escritório vigiava suas palavras, por elas podia ser mandado embora e até preso. Podia desaparecer. Os artistas denunciavam aqueles tempos com leveza e garra. Hoje li os versos dum poeta daquela hora, Eudoro Augusto.

Grande Plano

Áspera paisagem,

o penhasco e o mar.

Um canto distante,

um distante tropel de cavalos.

O aqueduto romano

a trama por trás do pano.

Não olhe para baixo

nem para trás.

Nosso plano de fuga

depende de equilíbrio e muita fé.

Agora desça devagar

e dá no pé.

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Um país grande como esse, deveria ser fácil se misturar a multidão e “dá no pé”. Mas não é fácil fugir ao sistema.

Hoje os tempos são outros. Não há repressão nem precisamos vigiar o que dizemos. Ledo engano. O mesmo poeta lembra que a vida em família é uma corda bamba.

Vida Íntima

Nos momentos mais delicados

te seguro com todo cuidado

como se fosses uma pétala frágil,

uma bolha de sabão

ou uma granada.



publicado por joseadal às 21:09
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

O ponto central do lar, desde as habitações mais primitivas, era a lareira, o fogo, a cozinha.

Mas o opúsculo Reinflama o Carisma, do monsenhor Jonas Abib, da Canção Nova, diz que um centro irradiador importante da casa é a capela, o cantinho das orações. Na p. 52 relata a experiência de uma senhora: “Deixei de viver focada no problema de drogas do meu filho. Decidi deixar o meu filho nas mãos de Deus”. Ela escutou a interpretação do padre Jonas para essa ordem (Atos 16:31): ‘Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, como também todos os de tua casa’, como significando que dedicando um lugar na casa para fazer orações regulares, dali se irradiará um bem estar que ajudará toda família. E que a ordem de Cristo (Mateus 21:13): “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração”, significa a mesma coisa e comparou: “se abrimos um frasco de perfume no quarto, seu aroma se espalhará por todos os cantos da casa”. Então, o padre incentiva-nos a fazer a experiência: “Decida e diga: vou fazer do meu cantinho um local de oração e vou insistir nas preces, até que toda minha família, pela graça de Deus, tornem-se cristãos entusiasmados”.

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Será que conseguimos ter nosso Cantinho de Oração em casa?



publicado por joseadal às 20:52
Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Sempre tive grande fascínio pelos costumes da raça negra: comida, dança, música e alegria.

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Agora, lendo Teologia & Negritude, de José G Rocha, estou aprendendo maravilhas (p.164): “Aproximar-se da religião é tocar o santuário mais sagrado da vida humana. Nela espelham seus maiores segredos, desejos, aspirações e carências”.

Quando Jesus ordenou: Ide, fazei discípulos de todas as nações”, não estava liberando nenhum cristão a coibir, “dominar, marginalizar, causar injustiças e exclusão a nenhum ser humano", e foi isso que fizeram com a raça negra, especialmente os que foram aprisionados, traficados e vendidos nas Américas. Como era possível tornar um escravo um discípulo de Nosso Senhor Jesus Cristo? O livro diz: “Torna-se urgente uma nova interpretação do cristianismo, para que este seja eficaz e promova o bem na vida de povos e culturas diferentes. Em especial nas culturas afro-americanas existem valores que expressam adoração a presença do Deus Criador. Os processo de opressão vividos pelos povos da história, influenciam e determinam o tipo de relação do homem com Deus e com a religião. A Igreja, sustentada por uma teologia, no intuito de evangelizar massacrou culturalmente negros e índios e impossibilitou o reconhecimento das manifestações e expressões do Deus da vida atuando no meio dos pequeninos”.

O negro que veio da África tinha sua forma de adorar a Deus: “Na concepção deles não existem dois mundos separados, o material e o espiritual, mas tudo forma um conjunto. Deus, para o negro, se encarna na realidade dos homens”. Deus está na mata e nas cachoeiras, nas pedras e nos animais, na tempestade e no silêncio da noite. E sua adoração não é feita só ajoelhando e rezando, “envolve o corpo todo, é festa e dança, é musicalidade e comida saborosa, é o espaço aberto”.

 

 

 

Vi isso na missa da irmandade do Rosário, em Piedade do Rio Grande.    



publicado por joseadal às 22:53
Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Terminei de ler o livro Zelota. Lia três quatro páginas por dia, às vezes mais, e terminei. Não espere para ler quanto “tiver tempo”, arranque tempo para ler. O escritor dessa obra leu muitos livros críticos da Bíblia por isso sua obra apresenta muitas dúvidas. Mas ensina muito, também. Vejo o capítulo, Quem vós dizeis que sou?

“Jesus centrou sua pregação e milagres nas aldeias mais pobres da Galileia: Nazaré, Cafarnaum, Betsaida, onde sua promessa de uma nova ordem mundial era ansiosamente recebida”. Nas cidades ricas da Judéia as pessoas já viviam bastante bem, o reino dos Céus não estava em seus planos.

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“Ele não só curava àqueles que não podiam entrar no átrio do templo - por serem aleijados ou leprosos -, mas purificava-os, assim tornando irrelevantes os caros rituais estabelecidos pelos sacerdotes. Suas curas e exorcismos atraiam multidões fazendo com que os bajuladores da corte de Antipas discutissem nervosamente sobre quem era esse pregador galileu. Quando viajavam nos arredores da grande cidade de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou casualmente: Quem as pessoas dizem que eu sou? Alguns dizem que tu és João Batista. Outros dizem que é Elias. Ainda outros dizem que és Jeremias ou algum dos outros profetas que ressuscitou dentre os mortos. Mas quem vós dizeis que eu sou? Cabe a Simão Pedro, líder dos doze, responder: Tu és o messias”.

Acho que é bom acreditarmos como Pedro.

- E isso significa o que, Zé? Estudar o que Jesus ensinou e fazer força para praticar, será isso?   



publicado por joseadal às 01:15
Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

Vi minha querida amiga Vera Marins só uma vez. Foi o bastante. Não esqueci mais a poetisa e vez por outra mergulho em seus versos.

Ontem, antes de dormir, foi em Loucura, do livro Inquietude:

Quando a alma nos escapa

Fica louca, desvairada.

Quer satisfações instantâneas,

Sai pelo mundo sem mapa.

Quer ações, quer experiências,

Quer prêmios imediatos.

Só lhe importa o hoje, o aqui, o agora,

O concreto, o prazer e a diversão.

Quer ser deus, invulnerável, poderosa.

Vira pura fantasia e ilusão.

Fica fútil, inútil, superficial.

Fica vazia, sozinha, esgotada.

Fica louca desvairada,

A alma que foge e escapa.

Tinha lida um pouco antes as palavras sisudas de um padre, irmão cristão que viveu, ensinou e apascentou almas por volta de 150 e.C.:

Penso que esse conselho sobre a temperança não é sem importância.

Irmãos, se renunciarmos a nossas paixões desregradas, dominamos nossa alma.

Negando-lhe seus desejos maus, teremos a misericórdia de Jesus.

Ajudemo-nos, então, um ao outro, de modo a salvarmo-nos todos.

Nossa alma sempre arranja um jeito de fugir. Mas não a deixe solta, traga-a de volta, domine-a. Afinal, somos homens ou sapos?



publicado por joseadal às 10:33
Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Eu sou da paz e você também, mas alguma coisa nos atrai nas batalhas. No livro Infiéis, o Conflito, p. 201, conta que nas Cruzadas os guerreiros europeus cristãos levaram novidades para lutar contra os combatentes árabes. Esses tinham “o incomparável arco recurvado feito de camadas de chifre e tendão que nas mãos de um arqueiro hábil abriam buracos num elmo de ferro. Um relato informa sobre um cruzado atingido na perna: a flecha trespassou sua cota de malha em cima e em baixo e penetrou tão fundo no flanco do cavalo que ele caiu morto”. Já os ocidentais chegaram usando a armadura flexível feita de milhares de elos de ferro formando uma resistente vestimenta de malhas de ferro. “Os cavalos de batalha europeus eram maiores e mais pesados e o cruzado lutava com uma lança e uma longa espada usando-as com uma versatilidade notável. A coragem e determinação arrojada dos cavaleiros era incompreensível para seus pares muçulmanos”.

 

Em menor quantidade de soldados, no meio da terra inimiga, desértica e quente, tão diferente do lugar de onde vieram, os cristãos conquistaram a Terra Santa. “Numa batalha que durou do amanhecer ao anoitecer, os guerreiros árabes conheceram o poder devastador das longas lanças e das pesadas espadas dos ocidentais”. Tudo muito viril, mas ainda prefiro a paz. 



publicado por joseadal às 19:38
Sexta-feira, 05 de Setembro de 2014

Estou lendo o livro, Zelota, de Reza Aslan. Os zelotas foram judeus profundamente ressentidos com o domínio de Roma sobre sua terra; outros deles foram estudiosos independentes da Bíblia.  

Logo no começo desse livro, em Nota do Autor, ele fala de três espécies de fé na Bíblia (p.13): “Primeiro há a crença incondicional de que cada palavra da Bíblia é inspirada por Deus e verdadeira, literal e infalivelmente. Depois, há os que têm consciência de que a Bíblia está repleta de erros e contradições, tal como seria de se esperar de um documento escrito e copiado por centenas de mãos. Finalmente, há os que repensam a fé e a cultura dos antepassados [contemporâneos da escrita da Bíblia] e ganham uma familiaridade profunda e íntima, como quando era criança, com estas palavras escritas há muitos anos de distância”.

Uma certeza que tenho, e olha que já li um bocado de coisas a favor e desfavoráveis a Bíblia, é que ela tem uma mensagem do Criador de todo Universo – gosto de pensar nEle como uma grande asa abraçando todos os mundos dentro desses 13 bilhões de anos/luz – para essas criaturas que mesmo minúsculas fazem parte de um grande e inescrutável projeto dEle. Quantas vezes, abrindo aleatoriamente uma página das Escrituras deixo os olhos caírem sobre um versículo e encontro nele um aviso, um conselho ou uma reprimenda para o momento que estou vivendo.

Então, quando visito uma pessoa que já viveu vários verões e primaveras e nunca leu ou só leu pouquinho da Bíblia, sinto uma incontrolável pena do sujeito.


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publicado por joseadal às 12:35
Domingo, 31 de Agosto de 2014

Hoje peguei minha bike e subi a serra da Bocaina, ontem fui de Piraí até Paracambi por dentro da mata. E enquanto fazia tudo isso, irmãos meus passaram esses dois dias trancafiados em celas apertadas comendo, defecando e dormindo com outros.

- Erraram, Zé, agora estão pagando.

Falo da má sorte, do destino que faz um ser humano perder anos de vida dentro de uma jaula. O livro Infiéis conta que a sina foi ainda pior para outros. “As galés eram um tipo de navio construído para as condições específicas do Mediterrâneo.

Longas e de baixo bordo eram capazes de mover-se independentemente da força ou direção do vento. Sua principal força motriz estava nos bancos de remadores que se estendiam por mais de 10 m em ambos os lados do vaso de guerra. Três ou quatro homens sentavam-se um ao lado do outro em cada banco, todos remando ao mesmo tempo.

Eram escravos, prisioneiros de guerra e criminosos. Em cada navio havia mais de cem homens, a maioria acorrentada ao seu posto de remar”. Preste atenção agora, e se puder deixe de sofrer por esses irmãos que há muito partiram dessa vida: “A maioria vivia o resto de seus dias dentro dos 60 cm que lhes eram designados. Dormiam, comiam, defecavam e urinavam, ficavam doentes ou sangravam e com frequência morriam de infecção. Ratos e baratas pululavam nos restos de comida e nas fezes. O repulsivo cheiro do convés dos remos podia ser detectado a até 3 km de distância”.

Meu Deus, houve irmãos nossos, “remadores, que subsistiam por 30 ou mais anos. Servir nos remos era uma forma de morte em vida”. Se a vida é só essa, como ela é triste para esses irmãos. É preciso agradecer ao Criador todos os dias a sina que nos deu nessa vida. Eu e você precisamos encontrar alegrias em nossa vida, sempre.   



publicado por joseadal às 23:12
Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Se pudesse, pegava-o pela mão e levava-o ao REC. É um Ágape, uma reunião alegre de cristãos. Nela não há músicas nem danças, mas oração, estudo, reflexão e a felicidade de coisas boas aprendidas. Nas últimas três semanas, estudamos os Dogmas da Igreja.

- Estudar dogmas, zé?

Eles não são cabrestos, são princípios. Como na matemática. Os conceitos básicos dela são axiomas, como aquele que diz: paralelas são retas que prosseguem equidistantes até o infinito. Se você conseguisse mudar um princípio, todo estudo humano viraria pó. Os Dogmas são princípios da fé. Ontem, estudamos os dogmas sobre Maria: “Se alguém afirmar que Emanuel (Cristo) não é verdadeiramente Deus, e que portanto, a Santíssima Virgem não é Mãe de Deus, seja excomungado”. No REC todos comentam e nessa noite falamos que a concepção de Maria não foi como a de Sara. Nela, mulher idosa, com os órgãos reprodutivos já desativados, o Espírito Santo regenerou-os e o esperma do velho Abraão conseguiu engravidá-la. Maria concebeu por ação do Espírito Santo, sem esperma humano. A jovem Ana Luiza nos lembrou que Izabel, que também concebeu do marido com ajuda do Espírito Santo, ao receber Maria, disse (Lucas 1:42-43) : “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. Que grande honra recebi, que venha visitar-me a mãe de Adonai?”

Ficamos refletindo por um momento e me veio uma outra compreensão: Ora, Isabel estava no sexto mês de gravidez, mas Maria estava na primeira ou segunda semana. O Filho que ela gerava era um embrião, uma porção de células que se fixaram na parede do útero. Mesmo assim, Ele já fazia a voz de Maria impressionar seu primo no ventre de Isabel.

Percebemos como a vida e capacidades de um novo ser já estão presentes na segunda semana de vida. Os corações de todos ali ficaram felizes por essas revelações. 



publicado por joseadal às 22:56
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Hoje, na loja de um novo amigo, conversávamos quando entrou um jovem bem negro de chapéu desabado, e bonito. Fez perguntas e em pouco tanto eu quanto Francisco sentimos que ele estava a ponto de nos assaltar. Mas acabou indo embora. Ia mesmo nossa assaltar ou só estava meio perdido? Decidimos que era um assaltante só porque era negro?

As notícias dão conta do recrudescimento do tratamento discriminatório nos EUA. O rapaz Michael Brown, de 18 anos foi assassinado por um policial branco. Outro jovem negro perguntou a um repórter: “Para que diabos ele tinha cassetete? Porque precisou matar? Somos cachorros?”

No livro Teologia e Negritude, falando dos grupos de Pastoral do Negro, diz (p. 158): “No documento Deus na Roda com a Gente, de 1992 ensina este Credo da Pessoa de Cor: ‘Cremos num Deus que é alegria, que ri e que canta, que não resiste e vem dançar na roda com a gente; cremos num Deus que renova nossas esperanças e não nos deixa desesperar; um Deus que é consolo na solidão: quantas vezes Ele é o único companheiro que nos resta!; cremos que Deus é ternura, que transforma desde dentro pessoas e estruturas; Deus que é força, mas não força que quebra e arrebenta, principalmente o que é novo e jovem; creio num Deus que gesta um povo que explode em sons, cores e alegria; um Deus fortemente identificado com as mulheres negras, as mães negras”.

(foi assim, com um gesto de rendição, que Michael recebeu 6 tiros do policial)

Para o policial que matou Michael desarmado – aquele menino negro podia ser meu neto ou teu filho – ou para os policiais brasileiros que também matam jovens negros, o livro tem esta frase: “Ninguém recebe um talento para si mesmo e sim para servir à causa do Reino de Deus através da comunidade”. 



publicado por joseadal às 23:59
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