Terça-feira, 22 de Abril de 2014

Cada qual chega a Deus por sua maneira, sua experiência pessoal.

- Incrível, lá vem Zé, logo de manhã cedo, pregar sobre Deus!

O escritor Sílvio Fiorani me ensinou como Aristóteles chegou a Deus, lendo seu livro O Paradoxo da Serpente, e quero compartilhar.

Filho do médico do rei da Macedônia, Aristóteles entrou para a Academia de Platão em 367 a.C. Ali, não se marombava, como você pode supor. Ali se estudava, elaborava-se ideias. Depois, fundou sua própria escola até ser convidado para ser professor particular do não menos famoso Alexandre.

 

- Esse Aristóteles era mesmo o cara, Zé.

Era um grande pensador. Foi aí que, como me ensinou o amigo Fiorani, ele começou a racionalizar Deus. Não começou com a ideia de Deus, iniciou por uma coisa que filósofos antes dele já haviam percebido: o mundo está em movimento, tudo que existe está, em todo momento, transformando-se. “À existência de um universo com formas eternas, de Platão, Aristóteles contrapôs-se ensinando a tendência interior e inexorável de todos os seres em busca da própria perfeição. Tudo é guiado por um ímpeto interno, numa direção precisa. O ovo da galinha orienta-se através de um processo que faz que dentro dele se desenvolva o embrião de outra galinha. Há, no mundo natural, um movimento generalizado e convergente” – p.191.

 - Até aí, esse tal filósofo não falou de Deus.

Vamos continuar lendo Sílvio? “Se tudo afinal de contas se transforma sem cessar, tudo se move, ele perguntou: como começou todo esse movimento? Portanto, não seria o mundo a primeira coisa a ser criada, mas o movimento. Ele é a causa primordial e final da Natureza. Aristóteles disse: ‘o tempo é contínuo, também o movimento o é, uma vez que o tempo é ou idêntico ao movimento ou um atributo dele’” - p.194.

- Desculpe interromper, mas ainda não se falou de Deus.

“Vivemos, talvez se possa dizer, entre duas eternidades: aquela que precedeu o primeiro movimento e a outra para onde tudo converge. De novo o grego: ‘A conclusão é que o primeiro céu deve necessariamente ser eterno. Então terá que haver algo que começou o movimento. Há alguma coisa que fez o movimento e que não se move, algo eterno que é tanto substância quanto ato’”.

- Zé, que bacana pensar Deus assim. Bem que dizem: Deus não muda. É Ele que muda tudo.  



publicado por joseadal às 14:22
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