Terça-feira, 04 de Fevereiro de 2014

Também em nossa relação com os índios, é verdadeiro o preceito: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. É o que diz um livro que leio, um ensaio da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, Índios no Brasil: História, Direitos e Cidadania.

“O direito dos índios às suas terras foi um princípio que vigorou desde a Colônia. Nesse direito não se mexia”. Isto estava claro, mas durante o Império uma nova visão dos índios mexeu nesta garantia: “Na Lei das Terras, de 1850, afirmava-se que os silvícolas estavam confundidos com a massa da população e isto deu ensejo a distribuição da terra que era deles há gerações”. Na história há dessas coisas, a luz recua e as trevas avançam. A autora conta que a coisa ficou ainda mais mal parada durante a Ditadura Militar. “Na época, 1978, o ministro do Interior, a pretexto de emancipar os índios de qualquer tutela, queria ‘emancipar’ as erras indígenas e coloca-las no mercado. A Sociedade Civil impedida de se manifestar em assuntos políticos desaguou seus protestos na causa indígena. Foi, com certeza, o avanço nas demarcações que deu impulso decisivo nessa mobilização popular”. O povo, contrariando interesses de novo empurrou para longe as trevas da injustiça aos mais fracos. Mais luz jorrava sobre o assunto: “Um tema novo surgiu durante a Convenção da Biodiversidade, em 1992, reconhecendo os direitos intelectuais dos povos indígenas sobre seus conhecimentos ancestrais. O que realmente mudou é que ser índio deixou de ser algo com que se envergonhar e as comunidades indígenas reemergiram e aumentou a sua população, de 250 mil em 1993, para 900 mil em 2010”. E uma nova visão do valor dos índios vem ganhando força: “O Censo do IBGE, de 2010, revelou que há 305 etnias indígenas que falam 274 línguas. Segundo o antropólogo Levy-Strauss, este é um capital inestimável de diversidade sociológica e de conhecimento. Não se trata de atribuir um valor superior ao conhecimento que eles detêm sobre o nosso, nem da importância de assimilá-lo e diluí-lo, mas de reconhecer o valor inestimável de se pensar de outro modo”.

Com a claridade forte da luz vamos reconhecer que o jeito índio de viver tem muito a nos ensinar.    



publicado por joseadal às 22:48
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