Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Não parece tanto tempo assim, ou parece? Há duzentos anos, em Minas Gerais, às margens do rio das Mortes o ouro trouxe riquezas e muito sofrimento. Na tese de pósgraduação de Daniela dos Santos Souza, O culto de Nossa Senhora dos Remédios (p.153), diz: “Saint-Hilaire, em suas viagens pelo Distrito Diamantino, nas primeiras décadas do século XIX, relatou a saúde precária dos escravos, constantemente ameaçada tanto pelo tipo de trabalho que exerciam, quanto pela fraca qualidade dos alimentos que recebiam: ‘obrigados a estar continuamente dentro da água durante o tempo da lavagem do minério e consumindo alimentos pouco nutritivos, quase sempre frios e mal cozidos, tornam-se, pela debilidade do tubo intestinal, morosos e apáticos’. As senzalas, por exemplo, estavam entre os ambientes propícios para a proliferação de  doenças contagiosas. Na maioria das vezes, o ambiente era pouco ventilado, úmido, sem higiene e pequeno para muitas pessoas. No sistema respiratório, as enfermidades mais comuns eram a pneumonia (maior índice), os resfriados e a bronquite. O organismo debilitado e malnutrido do escravo transformava uma simples gripe, ou resfriado ou até mesmo uma bronquite, numa doença grave e fatal como a pneumonia e a tuberculose.”

Só quando D. João VI veio para o Brasil é que deu ordem para fazer um hospital, uma Santa Casa, ali. Então, desde 1720 os habitantes da região criaram Irmandades, que tanto prestavam veneração aos santos que pudessem valê-los na doença, como promoviam ajuda mútua. Todos os participantes pagavam uma anuidade e organizavam festas para angariar dinheiro. A devoção maior era a Maria, em sua condição de N.Sra. dos Remédios. (p.163): “A vida cotidiana daquela população, considerando a década final do XVIII e o início do XIX, marcada pela preocupação com a saúde e/ou com a ausência dela, foi contexto propício para a difusão de uma devoção como a de Nossa Senhora dos Remédios que, se já era popular entre os negros, ganhou notoriedade também entre dos brancos”.

Entre os devotos havia os que adoeciam e eram curados e os que pioravam e morriam. A fé amparava a todos. 



publicado por joseadal às 01:48
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