Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

A revelação é uma experiência magnífica, mas não se esgota nela mesma. O que 'viu' precisa ajudar outros a também 'ver'.

Na Bíblia esta situação é descrita assim: O espírito diz: venha, e quem ouve diga à outros, venha. (Apocalipse 22:17)

Heidegger, explicando a "alegoria da caverna" descrita no livro A República diz: 

(nesta foto Malu procura cheiros na graminha)

"De acordo com a própria interpretação de Platão, deve-se tornar explícito esse elemento essencial, a contínua superação da falta de formação. Por isso, a narrativa não termina, como se gostaria, com a descrição do estágio mais elevado que foi alcançado na subida para fora da caverna. Ao contrário, a narrativa de um retorno dos libertos para o interior da caverna, para aqueles que ainda estão acorrentados, faz parte da alegoria. Esse que foi liberto deve, então, conduzir também aqueles para cima, para longe do pouco que está desvelado para eles, para o desvelado no mais alto grau".

Quem estiver buscando um melhor desvelado vai receber a este que conhece um pouco mais como um instrutor, mas quem acredita que as sombras que vê são toda verdade então vão maltratar e até matar o portador das boas novas. 



publicado por joseadal às 23:14
Quinta-feira, 06 de Outubro de 2011

Ainda Platão e a "alegoria da caverna", agora falando dos que saem da escuridão para a luz, o mestre ensina perguntando. 

"- Contudo, se na caverna, certas homenagens e louvores tivessem sido estipulados para quem visse com mais precisão acreditas que este que saiu da caverna desejaria competir com os que têm prestígio e poder lá? Ou ele preferiria, como diz Homero, 'viver sobre a terra (acima da caverna) mesmo que para servir, por um salário' e suportar qualquer coisa a perder-se no meio daquelas opiniões (legítimas na caverna), e voltar a ser homem daquela maneira? [o discípulo responde]

- Penso que ele suportaria tudo para não ser homem daquele modo (o modo da caverna).

- Portanto, reflete sobre isso: se aquele que saiu da caverna, descesse e sentasse no mesmo lugar tendo subitamente, deixado o sol. E agora, novamente, com os que lá sempre estiveram acorrentados, tivesse que tomar posições e fazer afirmações e dar opiniões sobre as sombras, não estaria ele então, lá embaixo, exposto ao ridículo, e não lhe dariam a entender que ele só subiu para voltar (à caverna) com os olhos arruinados e, também, que, portanto, de nenhum modo valia a pena esforçar-se para subir? E eles realmente não matariam aquele que se aproximasse com a intenção de soltá-los das correntes e levá-los para cima?”

Isto foi dito 600 anos antes de Jesus começar a ensinar. E certa vez o nazareno ensinou: 'Uma pessoa iluminada, que viu a luz, geralmente não é bem recebida por aqueles que ainda estão nas sombras'. [foto do meu jardim]

Quantos santos e filósofos, artistas e cientistas foram perseguidos e mortos por falarem de assuntos incompreensíveis para os populares.

Outra coisa, esta bem misteriosa: e aquele que vem a este mundo já nascendo como gênio, como se viessem de um ambiente iluminado para o nosso ainda na barbárie?

Mas coisa triste é o que já viu a luz se conformar novamente as sombras, ao contrário da luz e da razão, só porque não aceita simplesmente "viver sobre a Terra" longe de amigos e familiares que repudiam seu saber.      



publicado por joseadal às 00:18
Domingo, 25 de Setembro de 2011

"A 'alegoria da caverna' não ilustra apenas a essência da formação, mas permite, ao mesmo tempo, a apreensão de uma transformação essencial da 'verdade'". Quem diz isto é Martiln Heidegger, filósofo alemão comentando uma parábola de Platão no livro A República.

Ora, a verdade não é uma só? Então, como pode haver transformação da verdade? Vamos ler o professor.

"A essência da 'verdade' e o modo de sua 'transformação' é que tornam possível a 'formação da alma' em sua estrutura fundamental. Mas, o que une a 'formação' e a 'verdade' em uma unidade essencial originária?"

Gente, será que o mestre Platão pode nos desvelar aquilo que Pilatos perguntou ao outro mestre, Jesus: o que é verdade?

"A palavra nomeia a reorientação do homem inteiro no sentido do deslocamento para fora da esfera em que está, levando-o para um outro âmbito em que o essencial aparece e a que o homem se adapta. Este deslocamento só é possível porque se transforma tudo o que até aqui era evidente ao homem e o modo como era evidente. Tanto o modo do desvelamento quanto o que é desvelado ao homem precisam transformar-se. Desvelamento se diz em grego palavra que se traduz por 'verdade' que no pensamento ocidental se entende, há muito tempo, como a correspondência da representação pensada com a coisa: adaequatio intellectus et rei. Não nos contentemos, todavia, em traduzir as palavras apenas literalmente. Busquemos, ao contrário, pensar a partir da sabedoria dos gregos a essência real indicada nas palavras traduzidas e, então, imediatamente, "formação' e 'verdade' se unirão numa unidade essencial".

Será!?

"A 'alegoria da caverna'  trata da essência da verdade e o que quer dizer com 'desvelado' e 'desvelamento' está manifestamente ligado a região de domicílio do homem. Ela conta a história das transições de um domicílio a outro em uma seqüência de quatro diferentes domicílios em uma gradação peculiar, tanto ascendente quanto descendente. As diferenças dos domicílios e dos estágios das transições evidenciam diferentes modos da 'verdade' que domina em cada ponto. Por isso o 'desvelado', deve ser pensado e nomeado em cada estágio.

No primeiro estágio, os homens vivem acorrentados na caverna e aquilo que vêem os cativa. 'Os assim acorrentados tomam absolutamente como o desvelado apenas as sombras dos objetos reais".

O segundo estágio relata a retirada das correntes. Os acorrentados estão agora livres, embora permaneçam trancados na caverna. Na realidade, agora podem virar-se para todos os lados. Abre-se a possibilidade de verem as próprias coisas que, antes, estavam atrás deles. Aqueles que antes só olhavam para as sombras chegam a ver a luz do fogo artificial da caverna. Quando vêem apenas sombras elas mantêm cativo o olhar e, assim, se antepõem às coisas mesmas. Se o olhar, porém, se liberta do cativeiro das sombras, então, o homem, assim liberto, alcança a possibilidade de chegar ao âmbito do que está 'mais desvelado'".

O mestre Jesus descreveu a "verdade" assim: "É como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais [estágios do que é real] até ser luz perfeita". Então, saber a verdade demanda teeemmmpooo. também implica numa procura, ser curioso para "ver" mais adiante e a ajuda de quem já chegou ao outro estágio de descoberta. É melhor, para não se dar vexame, não dizer ou pensar: eu sei a verdade.   



publicado por joseadal às 12:07
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Será que você aguentaria ler a República, de Platão, um livro grosso, sem aventuras, damas enamoradas ou descrições eróticas? Dia desses, numa pequena rua de Nova Iguaçu onde fazem ponto caminhões de frete, vi um homem lendo-o, era um exemplar de páginas amareladas. Já bem avançado no livro o homem jovem de aparência simples parecia estar gostando do jeito de ensinar do mestre grego Sócrates, de quem Platão era discípulo. Faça um esforço e leia só um pedacinho da "alegoria da caverna" uma parábola importante deste livro e veja se percebe a lição do mestre a um aprediz. 

"Pessoas vivem numa morada cavernosa. Esta dispõe, acima, na direção da luz do dia, de uma entrada. Nesta morada, as pessoas estão acorrentadas desde a infância. Por isso, também, permanecem no mesmo lugar, de modo que só lhes resta olhar para o que se lhes opõe frente à face, estão incapacitadas de girar a cabeça. Sem dúvida, um brilho de luz lhes é concedido, a saber, o de uma fogueira que arde detrás, às costas deles. Na superfície há um caminho; onde pessoas passam carregando uma variedade de coisas, diversos artefatos humanos.

- Percebo. Você apresenta aí um quadro incomum e prisioneiros incomuns.

- Mas eles se assemelham bem a nós, homens. Pessoas assim, que nunca tiveram pela frente, seja por si mesmas, seja através de outros, a visão de algo além das sombras que a luz do fogo projeta sobre a parede da caverna que elas têm defronte.

- De que outro modo poderia ser, se estão obrigadas a manter a cabeça imóvel durante a vida inteira?

- Então, o que vêem elas das coisas que são carregadas às suas costas? Não vêem justamente isso, sombras?

- Realmente.

- Se elas, então, estivessem em condições de falar sobre o que viram, e de discutir umas com as outras, você não acha que elas tomariam o que ali vêem pelo real?

- Por Zeus, a isso estariam obrigadas.

- Considera agora a hipótese de os prisioneiros serem liberados das correntes e obrigados a, subitamente, olhar para cima, na direção da luz, ele só suportaria isso à custa de dores, e tampouco estaria em condições, por causa do brilho, de olhar para cada coisa da qual antes ele via a sombra. O que pensas que diria, se alguém lhe fizesse saber que ele antes via nulidades, mas agora, enxerga corretamente. Você não acha que ele aí não saberia o que fazer e, além disso, consideraria o anteriormente visto mais desvelado do que o que agora lhe é mostrado?

- Inteiramente, com certeza, disse ele".

Entendeu, não é? Pobres dos que desde a infância são enganados e acreditam em sombras, mentiras! E feliz você que vê tudo claramente, não é? Acorda! Todos nós estamos numa caverna escura e sempre se descobrirá coisas novas, pois o que agora parece claro é só uma sombra e ainda está para chegar o real.



publicado por joseadal às 23:50
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