Sábado, 07 de Junho de 2014

Depressão é uma doença antiga, já aparece no livro A Cidade e as Serras, obra de 1901. O personagem Jacintho, homem rico, foi prostrado por ela.

“Não se ocupara mais das suas Sociedades e Companhias, nem das Religiões Esotéricas, nem do Bazar de Caridade Espiritualista, cujas cartas fechadas se amontoavam sobre a mesa d'ebano, d'onde o empregado as varria tristemente como o lixo duma vida finda. Também lentamente se despegava de todas as suas convivências. As paginas da Agenda cor de rosa murcha andavam desafogadas e brancas”.

Ficou curado quando deixou a cidade e foi para roça, para perto da Natureza. (como eu e o amigo Pedro Raimundo chegando em Madre de Deus)

“Sentamo-nos nos poiaes da janela, contemplando o doce sossego crepuscular que lentamente se estabelecia sobre vale e monte. No alto tremeluzia uma estrelinha, a Vênus diamantina, languida anunciadora da noite e dos seus contentamentos. Jacintho nunca considerara demoradamente o céu do anoitecer. E este enegrecimento dos montes que se embuçam em sombra; os arvoredos emudecendo, cansados de sussurrar ao vento; o cobertor de nevoa, sob que se acama e agasalha a frialdade dos vales; um toque sonolento de sino que rola pelas quebradas e o segredado cochichar das aguas no riacho eram para ele como iniciações. Daquela janela, aberta sobre as serras, entrevia uma outra vida, que não anda a que anda cheia do Homem e do tumulto da sua obra. E senti o meu amigo suspirar como quem enfim tirava de cima dos ombros um grande peso”. (entardecer perto de Piedade do Rio Grande, quase hora da missa que íamos assistir)

Sinto o mesmo, quando saio de bicicleta do asfalto da cidade e corro por sobre o saibro de uma estradinha vendo pastos e matas, rios e cachoeira. É a paz da obra de Deus.



publicado por joseadal às 02:19
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