Sexta-feira, 21 de Março de 2014

Uma professora queixava-se comigo: os conselhos de classe deram aos jovens poder sobre os professores; não precisam mais saber, esforçar-se, são tantas facilidades, enfim, todos saem aprovados. E olha que li uma queixa igual em outro âmbito, está no livreto Eclesiologia (p.22): “'Desse modo, todo homem, pertença ele a religião que for, tem essa semente divina. Consequentemente, todo homem, por ser homem, tendo em si uma semente divina, está necessariamente salvo, tendo fé ou não, praticando ou não a lei de Deus, porque não se pode pensar que Deus mandaria para o inferno quem tivesse em si uma semente divina. Deus não poderia condenar a si mesmo'. Essa é a tese da salvação universal, defendida pelos neomodernistas. Daí, a teoria dos “cristãos anônimos”: ateus e hereges são cristãos sem o saberem, pois, ainda que o ignorem, têm em si uma semente divina que os faz substancialmente cristãos, e mesmo divinos”.

É a filosofia dominante no mundo, hoje, o antropocentrismo: cada homem já é um ser imortal, impossível eliminar quem quer que seja mesmo que faça misérias e nunca tenha procurado a Sabedoria Eterna. O livreto cita o texto que os modernistas usam para falar dessa semente divina no homem: “Todo o que nasce de Deus, não comete pecado, porque a semente de Deus permanece nele, e não pode pecar porque nasceu de Deus. Nisto se distinguem os filhos de Deus dos filhos do demônio” (I Epistola de João I: 9-10). Costumam dizer que nossos jovens leem mas não compreendem o que leem. Mas neste caso são teólogos com tempo de vida que leem e entendem truncado.

- A “semente de Deus permanece nele”, não é evidente?

- Não, leia mais: “Nisto se distinguem os filhos de Deus dos filhos do demônio”. Não fica evidente que tem gente sem a “semente divina”?

Ou dizem: pode-se errar a vontade que não dá em nada, “não comete pecado, porque a semente de Deus permanece nele”. João Paulo II entendia diferente e explicou em Reconciliatio et Paenitentia:“A antiga heresia voltou a brotar, na nossa época: há quem afirme que a transgressão dos mandamentos divinos, mesmo em matéria grave, não rompe a união com Deus, enquanto se mantenha a ‘opção fundamental’ por Ele. Contra este erro, o Magistério da Igreja recorda que o pecado mortal é um ato contra Deus, entendendo com isso um desprezo explícito e formal de Deus ou do próximo. Comete-se, com efeito, um pecado mortal também, quando o homem, sabendo e querendo, escolhe, por qualquer razão, algo gravemente desordenado. Com efeito, nesta escolha está já incluído um desprezo do preceito divino, uma rejeição do amor de Deus para com a humanidade e para com toda a criação: o homem afasta-se de Deus e perde a caridade”.

Então, não há isso de ser aprovado sem ter ‘largado o coro’.

(pecadinho a toa, peguei esse Van Gogh emprestado na página do fotógrafo Calino Antonio José Moura)



publicado por joseadal às 20:57
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