Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

A leitura sempre nos dá insights formidáveis. Ontem mesmo tomei conhecimento de um livro muito bom, O Banquete-Simpósio, de Platão. Está dentro do tema: sabendo tirar proveito do ócio [comentei isto numa postagem passada]. Na minha idade e, em alguns casos entre pessoas jovens, alcançamos uma estabilidade que nos permite ficar ocioso. Meu Deus, faz parte desta curta e trabalhosa vida merecidos momentos de lazer. Por diversas vezes comentei como nos distraímos, conversamos e fazemos exercício enquanto pedalamos. Um dia desses ouvi um motorista de ônibus, já com mais de 50 anos, comentando as pescarias no Pantanal todos os anos, fazendo a planejada excursão dos pescadores coinsidir com suas férias. Uma tenda grande armada numa praia do rio Paraná ou Araguaia com geladeira e bebidas geladas, um cozinheiro preparando os pescados e outros pratos, um garçom para servir ali ou na beira d'água e os papos intermináveis na noite escura ou enluarada; uma beleza só. Isto é ócio e precisa fazer parte desta vida. Mas o que Platão propôs é que se faça um ócio criativo. Ele ensinou e organizou encontros para atenienses e participou de muitos; passo aqui a idéia do mestre.

Marca-se um banquete, convida-se pessoas escolhidas que contribuem para o encontro, escolhe-se um intermediador e assuntos a ser discutidos. Dia aprazado, no local escolhido, um garçom e um cozinheiro ou churrasqueiro à postos, a turma chega e senta-se a mesa ou à vontade. Coloca-se músicas variadas, com som moderado, é servido o vinho ou a cerveja - Platão dizia que uma certa ebriedade é fundamental para que as idéias corram soltas e inovadoras -, os petiscos e começa o simpósio dentro do banquete. Cada um fala por determinado tempo e passa a vez ao próximo ou quem levantar a mão, todos devem contribuir com suas opiniões, alguém pode ser incumbido de registrar um resumo do que cada um disse e anotar as decisões ou planos nascidos dos diálogos.

As horas vão passar e vamos nos distrair num ócio produtivo em que a sabedoria sairá ganhando. Porque se o trabalhar nunca termina pode diminuir de intensidade se temos bom juízo. A sabedoria deve ser alimentada por toda vida, se possível cada vez com mais intensidade.



publicado por joseadal às 22:04
mais sobre mim
Fevereiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9

13
14
19

20
22

28


pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO