Sexta-feira, 03 de Fevereiro de 2012

Sobre a capacidade de aprender novos conhecimentos Martin Heidegger ensina o seguinte:  

"A 'Idéia' não permite que algo diferente dela (que está atrás dela) "apareça", ela mesma é aquilo que brilha. A essência da Idéia está na capacidade de brilhar e ser visível".

Quando nos dispomos a aprender é essencial nos despirmos de antigos conceitos. A idéia que fazemos de um assunto, resultado de uma cultura familiar antiga ou de dogmas religiosos, como uma fogueira que brilha, acaba por impedir que o estudante desenvolva seu novo aprendizado.     

Então, Heidegger complica e explica: "Na sua quididade o ente se faz presente. Contudo, de modo geral, o presenciar [estar ali, presenciando um fato] é a própria essência do ser. Para Platão o ser tem sua própria essência na quididade. Mesmo a terminologia posterior denuncia que a quidditas é o verdadeiro, a essentia, não existência"'

Para aprender é preciso estar presente, seja numa sala de aula, num auditório ouvindo a conferência, com um livro nas mãos, diante da TV ou do computador. Mas para apreender a boa nova também se necessita da atenção (quidditas) se não a experiência nova não fará parte da nossa existência, afinal estávamos lá, mas não permitimos que o novo penetrasse em nós. É como instalar uma versão nova de um programa no computador sem desinstalar a antiga. A nova Idéia não fará parte do nosso ser (essentia). 

Agora, mais um pouco de filosofia, informação pesada de pensamentos.  

"O que a Idéia põe em foco com isso e, assim, permite que o olhar direcionado a ela veja, é o desvelado. Somente por meio desse direcionamento, a apreensão e o conhecer passam a ter, em Platão, uma relação essencial com a 'Idéia'. A adoção desse autodirecionamento para as Idéias determina a essência da apreensão (em alemão Vernehmung) e, na seqüência então, a essência da 'razão' (Vernunft)".

 É assim que um entendimento novo se torna uma Idéia que como um Sol vai lançar uma nova luz sobre tudo que se via antes.


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publicado por joseadal às 10:50
Quarta-feira, 01 de Fevereiro de 2012

Os Pecados Cardeais é um livro que descreve a formação de um cardeal na religião Católica Romana. É bem escrito por Andrew M Greeley, mas deixa um sabor meio amargo e até deprime. No prefácio ele vai logo explicando, talvez, a causa deste mal estar: o que são pecados capitais:

“Os pecados cardeais ou mortais não são de forma alguma pecados e sim apenas 7 propensões desordenadas de nossa personalidade que levam a comportamentos pecaminosos. Soberba, avareza, luxúria, gula, ira, inveja e preguiça são tendências humanas sadias que podem enveredar por um caminho errado levados pelo amor-próprio, autoproteção, liberdade pessoal ou relaxamento. Os pecados capitais não resultam de uma maldade fundamental e sim de uma bondade básica que se descontrola. Resulta do ser humano sentir-se confuso e não confiar bastante no amor”.

Então, com ironia ele diz: “É claro que os pecados cardeais nada tem a ver com os membros do Sacro Colégio que como nós bem sabemos, quase não cometem pecado”. Mais adiante ele fala do homossexualismo na Igreja: “Quando se enclausuram duas centenas de jovens as ligações podem vir a ser um problema, especialmente quando os superiores demostram favoritismo e parcialidade com os alunos bonitões.”

Dois jovens que se conheciam antes do seminário, conversam: “- Estou ficando maluco, Kevin. Preciso que você me ajude a fazer as pazes com Stanley. Não suporto tê-lo perdido. - O que é que você anda fazendo com ele, Patrick? - Nada. Não é nenhum pecado... pelo menos não é como com uma garota. - É muito pior, Pat.”

 

As coisas feitas na adolescência passam. Alguns acham que o jovem deve ser julgado por esses erros outros acham que fazem parte do aprendizado da vida e a justiça, o governo e as instituições não devem intervir. Erros e sofrimentos fazem parte da formação de um caráter. Mas estes desvios se encaixam exatamente na definição que o autor fez no início. São pecados mortais que podem acabar agarrados a quem o sacerdote é e ao invés de ser um pastor protetor do rebanho torna-se um que devora as ovelhas de Cristo.



publicado por joseadal às 10:21
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