Sábado, 10 de Março de 2012

O livro O Mapa da Alma, de Jung, se não nos melhora pelo menos nos faz cientes e mais atentos a nossa relação com os outros. Esse
psicanalista via a psique como um espaço muito grande, como um sistema solar e, como este, repleto de corpos estranhos, os maiores deles denominou de complexos.
Parecem emaranhados de linha de pipa, bolos de nós difíceis de desfazer. Freud, antes dele, já observara que certas palavras ativavam um complexo, que parece uma bola estranha como um vírus gigante. Quando uma palavra ou/e atitude é o botão próprio de determinado embaraço ele fica ativo e dificilmente o ego consegue segura-lo. Um inimigo que nos conheça bem e tenha aprendido o que nos aborrece pode tornar nossa vida um inferno.

“Referimo-nos coloquialmente a nossa mulher dizendo: ela sabe como apertar meus botões. Premindo-os obtém-se uma resposta emocional. Em
outras palavras, constela-se um complexo. Depois que conhecemos bem uma pessoa podemos ou evitar estas áreas sensíveis ou tocar nelas por pura implicância. Todos já passamos pela experiência de estar constelado. Vai desde ficar ansioso até ficar perdidamente irritado. Somos ‘levados à loucura’. Quando um complexo toma conta da mente a pessoa perde o controle sobre suas emoções e comportamento. Para a pessoa psicologicamente orientada há o conhecimento depressivo de que em outra ocasião voltará a ficar impotente para evitar repetir a mesma reação incontrolável”.

Este alguém que nos conhece bem e sabe o que nos faz explodir geralmente é o próprio cônjuge. Como ninguém vai apertar um botão para
causar uma explosão na própria cara, começa-se a pensar que um inimigo espiritual força o marido a fazer algo que a mulher detesta ou vice-versa.
Fique ligado.


tags:

publicado por joseadal às 20:57

Terminei o bom romance Paciência de Santo. Outro dia comentei a experiência de êxtase - “o cavalo equipado” que passa diante de toda
pessoa que o monta ou deixa passar a oportunidade – experimentada pelo jornalista Red Kane. Agora li sobre como a família e os amigos reagem com
esta mudança de vida. Vou transcrever a conversa dele com um padre amigo, segundo a imaginação do padre Andrew M Greeley:

“- Eu lhe disse que não é fácil passar pela “estrada de Damasco” [menção a mudança na vida de Saulo que se tornou o cristão Paulo].

- Então, estou ficando louco, padre?

- Ora, não. Por incrível que pareça os outros é que estão.

- Então, porque minha mulher vive dizendo que não ando bem da cabeça?

- Meu caro, você mudou de vida, passou a agir como um homem diferente. Ela disse a si mesma: ou meu marido virou santo ou ficou maluco!
Pense em seus amigos [Red tinha o hábito de encontrar com os colegas em bares conversando e tomando alguma bebida, agora só tomava água mineral]. Sua mudança de vida pode representar uma exigência de reforma para eles também.

- Foi isso mesmo. Todos os meus amigos entraram numa conspiração para me obrigar a voltar ao meu comportamento de sempre.

- Pense só. Você chegava ao bar e todos ficavam logo esperando suas piadas para dar boas rizadas e os animando a beber uma grande
quantidade de cerveja. Agora que o Senhor Deus ativou outros potenciais em você eles dizem: que pena, perdemos um grande colega. O jornalista empenhado em combater desonestidades e corrupção, o marido sensível que vai direto para casa ficar com a mulher e o pai estremado incomoda aos outros.

- Que droga, as pessoas não gostam que a gente melhore?

- Pensa na situação de sua esposa. Ela reconhecia que a relação entre vocês não era satisfatória, mas podia ser tolerada. A convivência era limitada e repetitiva, mas ela sabia quem você é e do que é capaz. Enquanto ela reclamava e dizia que o queria diferente no fundo alimentava a vontade de que
tudo continuasse no mesmo modus vivendi.

- Aí eu mudei.

- Desculpe minha franqueza, mas a mulher muitas vezes gosta de bancar a mãe de um marido irresponsável, um eterno meninão. Então você muda,
vira um pai de família presente e carinhoso e ela conclui...

- Que devo estar a ponto de ter um colapso nervoso.

- Parabéns, Red. Não desista. Ao entrar nessa forçou todos nós a tentar a mesma virtude que conseguiu com tanta facilidade”.

Hoje fiz um novo amigo em Realengo, um dono de autoescola, o Robson. Ele me disse: não tenho mais tempo de ler. Gostaria de pensar que fui
usado para mostrar a ele que se pode mudar a vida e ser um outro sujeito.   


tags:

publicado por joseadal às 00:48
mais sobre mim
Março 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
14
15
17

19
20
21

25
26
28
29


pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO