Domingo, 10 de Junho de 2012

O livro Tambores de Angola me impressionou, quem o leu e me sugeriu a leitura já havia me avisado. Quem conta a história,o narrador, nos fala de outro mundo onde se encontra:  

"Quem sabe outros como eu, embora com boa intenção, não se conservam com o pensamento restrito, julgando-se donos da verdade? E assim, desconhecem a verdadeira base da Umbanda, como a de outros cultos afros, e por isso mesmo os julgam ultrapassados, primitivos ou coisa semelhante? Afinal, eu não poderia deixar passar esta oportunidade que para mim, seria de intenso trabalho e aprendizado e quem quisesse poderia se beneficiar de alguma forma com os meus apontamentos. Afinal, eu não havia deixado na sepultura a minha vontade de aprender e a minha curiosidade, às quais devo os melhores momentos que tenho passado no meu mundo de além".

(minha filha Marcia e outra arquiteta no Salão de Móveis, em Milão)

Será só imaginação tudo o que se fala e escreve sobre um outro mundo, um universo feito de outra substância, uma outra dimensão para onde vamos depois da morte física? E as religiões e rituais que vêm lá do início dos tempos, começados na África com os primeiros homens, que pontos em comum têm com as religiões cristãs e as outras? É o que procuro descobrir e o que me mantêm aferrado a leitura. Nesta vida e quiçá na outra.



publicado por joseadal às 15:42
Sexta-feira, 08 de Junho de 2012

O século 19 terminou com o ser humano mais próximo da verdade ou percebendo melhor a verdade. Mas ainda não era "ela". Nessa época um nicho importante da escravidão do homem por seu semelhante foi desarticulado. A princesa Isabel assinando a lei Áurea personificou a Liberdade, irmã siamesa da Verdade. Mas, como sabemos muito bem, quase ninguém entendeu a verdade de que nascemos para cumprir um destino/missão e sem plena igualdade de direitos não conseguimos.

(homenagem a princesa no começo da "princesinha do mar", Copacabana) 

O filósofo Martin Heidegger no livro A DOUTRINA DE PLATÃO SOBRE A VERDADE,

estudando a "alegoria da caverna" explanada pelo filósofo grego no livro A República, diz:   

"A verdade mais própria oferece-se nas sombras, pois mesmo o homem liberto de suas correntes ainda se engana ao avaliar o 'verdadeiro' na situação, porque a ele falta a condição prévia da capacidade de avaliar a liberdade. É verdade que a retirada das correntes traz uma liberação. Contudo, estar desacorrentado ainda não é gozar da verdadeira liberdade. As coisas, já diferentes das sombras, ainda estão iluminadas artificialmente dentro da caverna".

(duplamente liberta nossa amiga Sandrita posa com a princesa)

 

Um ex-escravo andando pelas ruas ainda dava passagem ao branco. A verdade ainda não se tinha apropriado dos seus coração e mente.

"O mais desvelado se mostra em cada ente, naquilo que cada ente é. Sem tal cada coisa absolutamente tudo, ficaria velado".

Tem uma coisa que você não sabe, ou talvez saiba. As potestades dos céus, de outros planos, decidiram nessa mesma ocasião que ex-escravos e pessoas simples do povo - a mãe-preta e o preto-velho, o boiadeiro e o marinheiro, o Zé Pelintra e a Pomba-gira - tinham, a partir de então, a missão de ajudar aos humanos. Não tendo a instrução secular do Dr. Bezerra de Menezes ou de Joana de Angeli, estes desencarnados, em sua vida humana simples perceberam a verdade brilhante que eu e você lutamos para entender.  

(João2010, que chegou mais cedo ao Rio, na praça XV vê um dos símbolos da Marinha e que também é um arquétipo de nossa prisão na carne) 

 

"O 'mais desvelado' é assim denominado porque é ele que, quando imediatamente aparece torna o aparente acessível ao entendimento".

Presos em cadeias invisíveis às obrigações desta vida, enfiados dentro de uma caverna que só deixa ver este mundo de matéria, somos escravos que precisam de ajuda para entender o desvelado e ganhar a verdadeira vida.



publicado por joseadal às 13:07
Quarta-feira, 06 de Junho de 2012

Convivendo, em sua breve passagem pelo planeta, com o ambiente, o homem acumula lembranças. Até hoje sinto as mãos suadas e o coração palpitando de minha subida na pedra do Cruzeiro, no morro por trás do Colégio São Gonçalo. Contanto, bem mais tarde, para os filhos e netos, gravamos esta impressão em suas recordações. Então, quando eles olham para aquela pedra crivada de ocas que servem de ninho para urubús lembram da aventura do avô.  

Esta é a definição tirada da Carta da Paisagem Cultural, conclusões do seminário Semana do Patrimônio, em 2007. 

"Paisagem Cultural é o meio natural no qual o ser humano imprimiu as marcas de suas ações resultantes da interação do homem com a natureza e da natureza com homem. Fundamenta-se na Constituição brasileira que estabelece: o patrimônio cultural envolve manifestações artísticoculturais e conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico". 

O pensador carioca, professor Mário Chagas, disse: "As pedras também são baús, ou arcas que guardam memórias.A memória do mundo, de algum modo, está presente nas pedras. Não estamos falando aqui da memória da natureza, mas da memória cultural. Em nossa relação com as pedras encontramos pinturas e também faíscas do imaginário e da memória social. Pensemos no Pão de Açúcar, no Corcovado, na Pedra da Gávea, essas são pedras que nos acompanham ao longo do tempo, tem um lugar proeminente na geografia de nossas memórias, nas nossas paisagens subjetivas. Sem elas, nós não seríamos os mesmos".

 

Quando fomos pedalar na Cidade Maravilhosa uma das impressões mais fundas foi da paisagem. Mesmo nós, caipiras de longe do mar, vivendo no vale do Rio Paraíba, carregamos em nossa mente, na ampla psique muitas informações do Cristo Redentor, da Pedra da Gávea, do Pão de Açúcar, do mar verde batendo num ritmo dolente. São imagens vistas em filmes ou revistas ligadas a emoções que vivíamos naquele momento. Já não são só pedras ou oceano, é uma mistura da Natureza com a vida da gente. Causa uma impressão formidável. 



publicado por joseadal às 12:17
Terça-feira, 05 de Junho de 2012

Platão ensinou em A República que o que nos faz "ver" uma coisa nova e "apreende-la" é a luz de uma "Idéia". Agora, vamos com o mestre mais adiante.

"Contudo, se alguma vez pudermos ver o próprio sol ou, dito sem figuração, se pudermos avistar a Idéia mais elevada, então poderemos apreender que ela é para todos os homens tanto a causa de toda retidão (de seu comportamento) como também de todo belo".

Sim, as Idéias nos desvelam verdades, mas há uma Idéia que enfeixa todas e que revela uma Verdade suprema. Platão a desigou como Idéia do Bem:

"Portanto, isso que concede desvelamento às coisas conhecidas, mas também cede ao conhecedor a capacidade de conhecer, é a Idéia do Bem. No domínio do que é possível conhecer, a Idéia do Bem é a visibilidade que consuma todo o brilhar e, por isso, também é a última que se chega propriamente a ver, de tal modo que ela mesma, de fato, mal chega a ser vista, só com muito esforço. Todo aquele que está interessado em agir com desenvoltura e com percepção - seja consigo mesmo, seja em público - deve ter em vista essa Idéia que se chama o Bem, já que torna possível a essência das demais Idéias".

Heidegger faz um comentário e usa uma palavra da era digital: "O Bem concede o aparecer da evidência e por essa concessão o ente é retido no ser e 'salvo'".

Uma Idéia, e mais ainda a maior delas, a Idéia do Bem, dá ao discípulo não só guardar um novo conhecimento como "salvá-lo" dentro de si, tornando este saber parte do ser.



publicado por joseadal às 23:19
Domingo, 03 de Junho de 2012

O mesmo jornal mas com visões divergentes do mundo, um no
caderno de Economia o outro no Segundo caderno. No primeiro, a participante da
Associação Latino-Americana de População, Suzana Cavenaghi, diz: “A saúde
econômica, social e ambiental do planeta depende de uma diminuição urgente do
nível de consumo dos mais ricos”.  

O primeiro bem da Terra que é desperdiçado sem cuidado é a água. Os astrônomos
procuram com muitos esforços mananciais de água em outros corpos celestes, é
raríssimo. Nós não tratamos a água com o respeito que ela merece: “Em 2005, 1,8
bilhão de pessoas viverão em áreas com severa escassez de água. Uma pessoa num
país rico usa até 50 vezes mais água do que outra numa nação pobre”.

Outra riqueza maravilhosa é nossa atmosfera, uma mistura equilibrada de gases que
sustentam a vida. Mas nós o usamos tão criminosamente! Ela diz: “Os 20 países
desenvolvidos e os emergentes têm uma emissão de gases-estufa que supera em
mais de 50 vezes todos os países mais pobres”.

A litosfera do nosso lar sideral é constituída de diversos minerais que a humanidade aprendeu a usar para fazer nossa
vida mais confortável. Mas estamos arrancando cada vez mais minérios: “De 1960
a 2007 a produção de cobre e chumbo quadruplicou e a do tântalo e nióbio
(usados em dispositivos digitais) no mesmo período aumentou 77 vezes. A
ascensão dos BRICs que aliam o crescimento demográfico desordenado dos pobres
ao sobreconsumo dos ricos, fará com que a Terra não seja suficiente para atender
a demanda por água, alimentos e outros recursos”.

(fachada de um hotel em Bananal, SP, mas aqui pertinho de Volta Redonda)

No outro caderno o cronista de Nova Iorque, Eduardo Graça,
fala de um uso espetacular do nosso planeta: “É domingo, faz sol, e saio numa
longa caminhada pelo Brooklyn e o East River. Começo admirando sem pressa a
praia mais disputada da cidade com esteiras e roupas de banho coloridas dividindo
o espaço democraticamente com operários das obras que estão transformando a rua
12 Norte. No Parish Hall, sento-me perto da porta de entrada e admiro as
paredes de tijolos brancos até que chega o prato com porções pequenas com
ingredientes leves: sanduíche com queijo cheddar, maça,mostarda e aspargos
frescos grelhados como guarnição. Para beber, chá verde da casa. Então, sigo em
direção a ponte de Williamsburg e em meia hora estou dentro da Simon Preston
Gallery, sentado num banco branco e vendo um vídeo do austríaco Hans Shabus.
Mais tarde, volto caminhando com as próprias pernas pensando na eterna mutação
do mundo”. Poxa, o cara fez tanto, curtiu muito e quase não mexeu com este mundo lindo.   

Como bem disse um advogado que conheci ontem: Estou
resolvido a ter uma vida sem desperdícios e feliz. É possível, sim.



publicado por joseadal às 02:04
Sábado, 02 de Junho de 2012

Líamos ontem à noite o livro de Josué e Lili horrorizada pediu: Vamos pular para o Novo
Testamento (desfolhando o grosso livro), mas está longe, não é? Ah, então vamos ler
sobre Davi e Salomão.

O que a assustou foi este trecho: "Josué e seu exército cercaram e atacaram a
cidade de Laquis. No segundo dia de combate o Deus Eterno deu aos israelitas a
vitória. E como havia feito em Libna mataram todas as pessoas, não deixou
ninguém vivo”. Este massacre aconteceu em 1450 a.C. Os judeus tomaram a terra
dos amorreus, jebuzeus, perizeus e amonitas, que viviam ali por séculos.

Fui buscar um livro que estou lendo e enquanto procurava a página expliquei a ela sobre o que tratava
A Garota do Tambor. Um grupo de caça a terroristas, do Ministério da Defesa de Israel,
prepara uma atriz inglesa para se infiltrar em um grupo palestino. Um agente que
a arregimenta, durante seu treinamento, conta a experiência do líder terrorista
que querem pegar. Quando ele era menino os judeus vindo de diversos países tomaram as
terras dos árabes:

"Na pequena aldeia palestina de Deir Yasseen, a 9 de
abril de 1948, seus 254 habitantes, velhos, mulheres e crianças, foram
massacrados por israelitas enquanto os homens trabalhavam nos campos. Mulheres
grávidas tiveram os filhos mortos em suas barrigas. Em poucos dias quase meio
milhão de palestinos fugiram de sua pátria”. Os judeus tomavam novamente para
si a terra onde árabes palestinos viviam por séculos.

- É terrível, mas são os homens e somos assim mesmo, mas na Bíblia é Deus que manda matar todos
habitantes de uma cidade, inclusive as mães e seus filhos de colo. Isso me deixa confusa! - diz Lili

Um homem religioso explicaria que como a Deus pertence tudo Ele pode dar e tirar uma vida
para depois a ressuscitar. Um espírita ou um espiritualista fala em destino cármico
de uma comunidade inteira que de ve morrer, mas que logo todos estarão de volta a este planeta, reencarnados.
Porém, quem estuda História aprende que àquela época os cronistas e seus leitores
viam um deus pessoal por trás de qualquer acontecimento. Eram os mesmos homens
a fazer e acontecer, a praticar desmandos e violência, mas para os que
registravam os fatos, seguindo o pensamento teocrático daquele momento
histórico, Deus estava ali, dando ordens de matar e autorizando os genocídios.

Ao ler a Bíblia temos de nos ater ao que Jesus ensinou: “Foi dito ao seus
antepassados... Porém, eu lhes digo agora”. Deus não muda, mas nós mudamos e,
por isso, deve-se modificar a forma de entende-Lo.  



publicado por joseadal às 00:14
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