Quinta-feira, 12 de Julho de 2012

“A objetivação da vontade tem por forma necessária o
presente, ponto indivisível que talha o tempo prolongando-se ao infinito nas
duas direções e que permanece imóvel, tal como um eterno meio-dia que nenhuma
noite apagasse, ou como o Sol real que brilha, continuamente, conquanto nos
pareça que imerge no seio da noite”

Estas palavras, quase poesia, são do livro O Mundo como
Vontade e Representação, de Artur Schopenhauer. Ele quer enfatizar a ideia da
eternidade e nos afastar da pequenez desta vida finita que vivemos e nos
agarramos tanto. Preso a esta existência na matéria podemos perder toda noção
exata do que é a vida.

“Temer a morte como destruição é como se o Sol no crepúsculo
exclamasse, gemendo: Ai de mim que vou perder-me numa noite eterna! Mas,
vice-versa, também o contrário é verdadeiro. Aquele que, oprimido pelo peso da
vida, e embora a amando e afirmando-a lhe teme as dores e, sobretudo, não quer
suportar por mais tempo o triste destino que lhe toca, em vão espera encontrar
a libertação na morte e salvar-se com o suicídio. Mas o porto que lhe oferece o
Orco, escuro e gelado, cuja calma o atrai, não é mais que uma vazia miragem. A
Terra continua girando incessantemente do dia para a noite; o indivíduo morre:
mas o Sol arde sem trégua e o meio-dia é eterno”.

Por muitos modos, se só temos diante de nós esta vida, procuramos
o suicídio. Não, talvez, o ato extremo, mas na bebida, nas drogas, no cigarro,
numa vida sem regras de trabalho ou diversão. Desta maneira mostramos que a
vida nos é pesada.

“A vontade de viver está certa de viver: a forma da vida é
um presente sem fim; e pouco importa que os indivíduos, fenômenos da Ideia,
nasçam e morram como sonhos fugazes. O suicídio, portanto, desde já nos aparece
como um ato inútil e porventura insensato”.

(lá em baixo o caminho que vem de São José do Barreiro e sobe a Bocaina)

Um religioso, equilibrando-se precariamente entre a
existência neste planeta e a verdadeira vida em outra dimensão, diz: Comete
suicídio quem não tem fé! E é isto mesmo. Mas é bom trocar em miúdos a palavra
fé. João Paulo II explicou em Não Tenham Medo que a fé é uma ponte que Deus
cria entre nós e Ele. Ele nos toca (escolhe) – e faz isto com cada criatura sua
– e se O reconhecemos como autor de tudo que existe e colocamos nossa vida em
Suas mãos, está montado o fenômeno da fé, que move montanhas e não nos permite
nos matarmos, no suicídio ou numa vida insensata.


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publicado por joseadal às 11:27
Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

“A impressão que tenho, hoje, é a de que a infância, como
fase marcadamente distinta, está sendo esvaziada; mas também o mundo adulto
está, de certo modo, desaparecendo. O que todos querem ser é adolescente”.

Crônica é uma forma de literatura leve e do cotidiano. Este
comentário acima é do cronista Francisco Bosco. Sua visão do nosso mundo é que
a maneira que vivemos encurta a infância e está fazendo os adultos ter atitudes de adolescentes.

“A ideia de infância, para mim, é de uma fase da vida onde o
princípio de realidade está ausente. Nessa época a vida é ao mesmo tempo
misteriosa, sólida e enigmática”.

O garoto Zé não sabia quanto o pai ganhava,
tinha certeza de que não ia lhe faltar nada, aliás, nem se preocupava com isso.
A vida dele se resumia em ser bom na gude, em cortar pião dos outros, em pular
cerca para pegar frutas nas casas dos vizinhos e descobrir os limites da
paciência da mãe. A neta dele, Lívia, tem tanta responsabilidade, tantos
cursos, tantos horários para cumprir que não vejo a menina brincar. A outra neta, Pâmela, passou por tantos
problemas nos poucos anos de vida, viveu tantas situações insólitas, que amadureceu cedo demais.

- E esse negócio do adultolescente, Zé? Também é ruim?

(no alto da Bocaina gente grande, escolada, se enternece com um cogumelo pura fantasia)

Aí, não sei. Tenho que pegar a bike e sair por aí, sem lenço
e sem documento. E não me venha dizer que isto é coisa de adolescente.     



publicado por joseadal às 01:51
Terça-feira, 10 de Julho de 2012

“Tudo quanto natureza compreende, o conjunto dos seus fenômenos, é absolutamente
necessário e a necessidade de cada parte, de cada fenômeno, de cada
acontecimento pode ser demonstrada em qualquer caso, desde que se possa
encontrar a causa de que dependem como duma consequência”.

Este conjunto de palavras, de intrincada montagem, exige o
parar para pensar. O filósofo moderno Artur Schopenhauer começa explicar o que
é Vontade.  Para quem ama o belo planeta Terra, respeita a vida como um
milagre incrível - já que num planeta feito de material inorgânico, ela surgiu
e se multiplicou – é imprescindível reconhecer que todos os fenômenos são
absolutamente necessários. Que há uma conexão entre a formiga que atravessa a
estrada na frente do ciclista com a mata ao lado da estrada e, em fim, o próprio ciclista.

(um granito majestoso que a Natureza revelou no alto da Bocaina)

  

“Por outro lado, o mundo, em todos os seus fenômenos, é
objetividade da Vontade, a qual, não sendo ela própria nem fenômeno, nem
representação, nem objeto, mas a coisa em si, não está submetida ao princípio
de razão que é a forma de qualquer objeto: não é, portanto, o efeito duma
causa, não é, por conseguinte, necessária; isto quer dizer que é livre”.

(entardecer, em um sábado, em vales no alto da serra da Bocaina; não é lindo, o mundo)

 

Não se pode deixar de perceber, também, que todo este
intrincado arranjo da vida em nosso planeta “é objetividade da Vontade”, de uma
Vontade suprema. A Vontade não tem uma causa anterior a ela ou que a produza.
Quando Schopenhauer afirma que a Vontade “não é, por conseguinte, necessária”
ele está nos dizendo que não houve algo que causou a Vontade, que a tornou
necessária existir. Isto quer dizer que é livre, a Vontade.

Trocado em miúdos, a Vontade é um atributo do Pai Eterno e
por isto é sem princípio e sem fim. A Vontade em nós, parte de Deus em nós, é o
que nos conduz sem que a Razão possa dizer por quê.



publicado por joseadal às 00:34
Sexta-feira, 06 de Julho de 2012

“A água leva a pedra

e por isso não está mais aqui aquele pedaço de rocha da última primavera”.

Versos do poema A Aula do Recreio, da atriz e poeta Elisa Lucinda:

“Não mais no mesmo rio impera aquele grande seixo meio sépia meio dourado meio negro

que julgávamos firme e capaz de sustentar nossos corpos, de dar apoio ao salto,

trampolim ao desejo”.

Estes versos me fazem lembrar o que li estudando geologia. O geólogo Ivo de Menezes Medina explica complicando:

“Para compreender melhor como se formou os terrenos onde se situa a Pedra da Gávea, reporta-se há mais ou menos 500 milhões de anos atrás, no final da era Neoproterozóica. Durante o Neoproterozóico (1.000 – 540 Ma.) a movimentação, colisão e colagem de placas tectônicas constituíram um supercontinente, o Gondwana. A zona de colisão ou zona orogênica entre as placas formaram uma cadeia de montanhas”.

 

Puxa, compreender um século já é tão difícil quanto mais meio bilhão de anos! Mas, então, o que hoje são belos relevos do Rio de Janeiro, era um planalto no meio de um supercontinente. O tempo correu e a velha fratura soldada se abriu separando o Brasil da África. Na língua técnica isto é descrito assim:

“Após um longo período de estabilidade tectônica no Paleozoico e início do Mesozoico, esses terrenos sofreram uma tectônica extensional. Como consequência desse processo dinâmico da crosta terrestre, esse supercontinente começou a fragmentar-se a aproximadamente 135-110 milhões de anos dando início à separação entre o Brasil e a África com a abertura do oceano Atlântico”.

Imagine partir um bolo, um pedaço para cada lado. O litoral do Rio de Janeiro foi um grande paredão de rocha e solo. Então esta muralha foi trabalhada até ficar bela como é.

“A combinação das falhas, das diferentes resistências das rochas e do poder erosivo das chuvas esculpiu o relevo formando cavidades e escarpas. A evolução natural do relevo está ligada a desmoronamentos e escorregamentos das encostas que são favorecidos pelas fraturas na rocha e pela ausência de vegetação, principalmente durante episódios de chuvas intensas. Assim, o clima combinado com a natureza e estrutura das rochas deixa sua marca, retocando o relevo e dando-lhes as feições atuais”.

Em poesia Lucinda diz assim: “Pois que a pedra foi levada pela água para outra parte da maleável estrada, provando que de fixo mesmo não há nada”.



publicado por joseadal às 20:19
Terça-feira, 03 de Julho de 2012

Qual é a função do filósofo, daquele que pensa o que está se
passando no mundo? No livro O Mundo como Vontade e Representação, de Arthur
Shopenhauer, diz:

“Na minha opinião, a filosofia é sempre teórica; porquanto,
o que está na sua essência, qualquer que seja o objeto da sua investigação, é
manter-se exclusivamente no terreno da observação e da análise, e não no de
ditar preceitos”.

Esta parece ser a principal diferença entre religião e
filosofia. Aquela dita normas e cria dogmas para reformar o ser humano, essa
estuda o que nós humanos já aprendemos até aqui e qual deve ser o próximo passo
em nossa conduta. E Shopenhauer alfineta as religiões:

“Querer guiar a conduta e reformar os caracteres são
pretensões que já viveram o seu tempo; em nossos dias, educada pela
experiência, a filosofia põe à margem tais pretensões; pois que, quando se
trata do valor ou da nulidade da existência, da salvação ou da perdição, não
serão certamente as frias abstrações da filosofia as mais próprias a fazerem
lastro na balança”.

Mas, então, o que torna uma pessoa um cidadão de caráter e
outro um corrupto? O que se vê nas notícias é que nem o dinheiro nem a
instrução são garantias de um bom sujeito. Então, o filósofo diz:

“Aquilo que para isso concorre é a própria natureza do
homem, o demônio que o dirige sem se ter imposto, o qual, ao contrário, foi o
próprio homem que chamou sobre si, como diz Kant: ‘A virtude e o gênio são
coisas que não se ensinam’. Para os maus a noção é infrutífera, tanto quanto
para a Arte, e pode quando muito servir de instrumento. Seria tão insensato
querer que os nossos sistemas de moral fabricassem gente virtuosa, nobre,
santa, como pretender que os nossos tratados de estética criassem poetas,
escultores ou pintores”.

(do alto da serra da Bocaina a represa do Funil parece um rio largo e do outro lado do vale do Paraíba a Mantiqueira nós olha impávida)

- Zé, então para que vai servir você ler esse livro grosso desse jeito?

O mestre te responde: “A filosofia não pode fazer outra
coisa que não seja interpretar e explicar aquilo que é; ela deve dar à Razão o
conhecimento claro e exato da essência do mundo”. É só que eu quero.


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publicado por joseadal às 12:30
Segunda-feira, 02 de Julho de 2012

João Vucetich era da Polícia da Província de Buenos Aires e
estava decido a encontrar uma maneira simples de identificação das pessoas. Era
também um homem religioso e um dia lendo as escrituras deparou com esta frase
(Jó 37:7): “Ele põe um selo nas mãos de todo homem, para que todos saibam que Ele
os fez”. Ligou esta revelação com o que procurava, começou a estudar as mãos
de detentos e descobriu que as linhas e sinais eram específicos a cada pessoa,
não se repetiam. Enfim, estabeleceu o método de identificação baseado nas
linhas na papila dos dedos.

Bem antes disso, na longínqua antiguidade, os sacerdotes
caldeus perceberam que nas palmas das mãos dos seguidores de sua religião
estavam impressos sinais, símbolos, e para ajuda-los interrogavam-nos. Assim, foram
formando um quadro de ligação de determinado sinal na mão com as qualidades e
defeitos de cada pessoa. No livro Magia, Mistérios e Práticas, Woodrow Silva,
um estudioso, explica com simplicidade o que aprendeu nos livros de Ciências
Ocultas e comprovou no dia a dia com seus discípulos. Esta foto mostra os
diversos sinais e suas posições na palma da mão. Este estudo chama-se Quirologia.

Encontrei na minha mão esquerda, no centro, uma estrela. O
livro diz: "Este símbolo é o Pentagrama ou estrela de cinco pontas, também
designado como 'signo de Salomão'. É um dos mais difíceis de ser encontrado
numa criatura. Este é um símbolo assaz forte, pois representa a confluência de
cinco forças ou correntes vibratórias astrais. Seu possuidor tem sensibilidade
intuitiva apurada, clarividência e sentido premonitório. Mas só se estiver
equilibrado moral e espiritualmente, isto é, não pode estar envolvido em
paixões ou vivendo para os sentidos físicos".

Olhe sua mão, procure com atenção (eu só reparei em minha
estrela depois de ter olhado duas vezes os sinais impressos na minha mão
esquerda) triângulos, asteriscos, luas e estrelas. Se achar algum deles e tiver
curiosidade de saber o que seu Criador mandou estampar em sua mão, como
informação sobre sua atual missão na Terra, mande-me uma mensagem e terei o
prazer de pesquisar para você.

Tudo isso deve ter como intenção nosso desenvolvimento espiritual.       



publicado por joseadal às 11:36
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