Sábado, 13 de Abril de 2013

A vida pode ser comparada a uma estrada, e como essa, tem ao longo de si muitas variantes, caminhos que se abrem à direita e à esquerda. Adam Phillips escreveu Elogio da Vida não Vivida, que li só uma resenha, mas achei pontos em comum com o que penso sobre o que deixei de fazer na vida.

“Missing out (ah, perdi!) é o conjunto de vidas que deixamos de viver, seja porque ficamos com medo, escolhemos outro destino ou a sorte não quis; seja porque não passaram pela nossa frente.  Alguns projetos de vida esquecemos completamente, outros ficamos remoendo: ah, porque não fiz aquilo! Quando conhecemos alguém procuramos conhecer seu passado, então não se deve menosprezar os planos não executados, as chances perdidas por ela (ele)”.

Não é difícil acontecer, durante a vida do casal, surgir das brumas do passado aquele namorado (a) ou aquela dívida não paga.

E quanto as crianças, nossos filhos e netos, o que são as vidas perdidas?

“As vidas não vividas podem nos empobrecer levando-nos a viver num eterno lamento por algo que não nos foi dado. Esse é o futuro que estamos preparando para nossas crianças ao destruirmos florestas e espécies de vegetais e animais. Os pais atualmente estão condenando seus filhos à sensação de desperdício ao insistir no mito das potencialidades. De onde vem ideia de que nossas crianças seriam dotadas de talentos e que corremos o risco de desperdiçarmos seu patrimônio? Outro terrível encargo é quando os pais querem decidir a vida de seus filhos empurrando-os para viverem vidas que eles mesmos perderam”.

(quando se faz mountain bike é comum largar o caminho conhecido e entrar por outro desvendando novos lugares, como esse por trás de Rio Claro, RJ)

São tantos os caminhos que não percorremos! Sem falar no conceito espiritualista que diz que temos no inconsciente lembranças de outras vidas.



publicado por joseadal às 21:48

Um filósofo é alguém que procura olhar friamente o modo como a humanidade vive. Diferente de um teólogo que trabalha com a fé, ele lida com o aparente. Porém, os objetos que estão diante de nossos olhos também podem ser percebidos de uma maneira errônea por nossos sentidos. No livro O Sistema Cristão e o Vazio da Existência, Artur Schopenhauer  faz algumas análises que acho precisarem de uma segunda opinião (p.39):

“Apenas pense: se todas as leis criminais fossem anuladas, nenhum de nós teria coragem de sair de casa. Mas se do mesmo modo todas as religiões fossem fechadas, poderíamos apenas sob a proteção da lei continuar vivendo. Poder-se-ia dizer que deveres para com Deus e deveres para com a humanidade, muitas vezes estão em posições contrárias. Em todos os tempos e em todas as nações a grande maioria da humanidade julga muito mais fácil chegar ao céu pelas orações do que pelo merecimento de suas ações. Assim, discursos às massas e edificações de igrejas se tornam tão louváveis de modo que até grandes crimes são expiados por elas, como penitência”.

(estamos atravessando o rio Paraíba lá perto de Rio das Flores, a aparência é de desportistas, mas são também devotos de Deus e da Natureza)

  a

Já no livro Uma História que não é Contada, o professor Léo Moulin, da Universida de Bruxelas, também lidando com fatos, diz (p.90):

“No início do século XVII a Europa contava com 108 universidades, enquanto no resto do mundo não havia uma só. Isto põe um problema para o historiador: porque o desenvolvimento ocorreu somente em área cristã. Há na mensagem cristã gérmens do desenvolvimento e do progresso. Pregando igualdade ela cria uma sociedade livre, sem castas. Alimentado por tal mensagem o homem europeu conquistou o mundo”.

Ler livros de inclinações diferentes não são para nos deixar bolados, essas opiniões só nos ajudam a não achar que sabemos tudo e somos donos da verdade.



publicado por joseadal às 02:27
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