Terça-feira, 08 de Outubro de 2013

Qualquer que seja a atividade que uma pessoa escolha e desempenhe, há o momento em que bate uma profunda decepção.

No livro de Henry Morton Robinson que estou lendo o personagem passa por esse questionamento:

“’É esse, então, o alto mister  que me dediquei? São esses os labores que tenho de efetuar até o fim de meus dias?’ Sobreveio-lhe imenso desgosto por tudo quanto se referia aos seus encargos. Inteiramente masmarado, querendo fugir dessa realidade, ficou parado sob o toldo de uma mercearia. Onde poderia ir? Ainda era cedo e ele tinha muitas visitas para fazer. Todavia, onde encontrar vontade para fazer o trabalho? Um bonde parou para recolher passageiros e ele subiu, sentou-se a sombra e deixou que a aragem lhe refrescasse o rosto suado. O bonde estava quase vazio e sentado a janela via a cidade passar até que chegou ao ponto final, era um subúrbio semirrural. Lembrou-se que ali perto havia um  pequeno lago. Encaminhou-se para lá e circulou a margem. Chegando a um ponto sombreado sentou-se na areia grossa. Pensou na frase, “livre como um passarinho”. Como era tentador para os seres humanos decepcionados com a vida o desejo de se transfigurar em objetos da natureza, completamente livres da triste condição humana. Ocorreu-lhe uma preleção de um professor: 'Esta, meus amigos, é uma crise clássica que se repete sempre, mesmo na vida dos grandes místicos. O espírito verdadeiramente iluminado persiste em sua busca, mas o corpo vencido pelo cansaço do mundo afunda no desespero. Nesse momento, pense no exemplo de Jesus. Tendo caído pela primeira vez, pela tortura que vinha passando desde a madrugada, se tivesse se permitido ficar ali no chão vencido pela tentação de que seu trabalho era uma futilidade, não teria carregado a cruz até o fim para morrer por nós. No meio da vossa angústia, pedireis que Deus vos envie um sinal, qualquer raio de luz em meio a escuridão em que estás. Lamento asseverar que sinais como a sarça ardente de Moisés, não se entremostram mais como nos tempos dos profetas'. Ele tirou a roupa e entrou no lago. Mergulhou e nadou. Quando voltava, sentindo os seixos redondos sob os pés, viu que um lírio aquático se prendera a seu punho. Ele olhou a flor e disse: 'É um signo, um sinal de que Deus está comigo e me segura pelo mão'”.

Não há remédio melhor na depressão do que sair do meio do burburinho de gente e procurar nosso Criador em meio a sua obra: a beira de um riacho, num pedacinho de bosque ou num alto de morro. Olhe sempre para cima, além dos telhados das casas, apenas obras humanas, mas para o céu azul recamado de nuvens brancas.     



publicado por joseadal às 13:04
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